O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2020

No filme de desenho animado Wall-E, é retratado o planeta Terra inabitável após a humanidade entulhá-lo de lixo e poluí-lo com gases tóxicos. Apesar de futurístico, fora da ficção é possível imaginar que o mesmo cenário se torne realidade, uma vez que atualmente os comportamentos sociais brasileiros não condizem com a preservação do meio ambiente, dentre eles, o consumo desordenado. Sendo assim, têm-se como fatores indispensáveis que promovem tal problemática a cultura materialista e a falta de conscientização popular.

Majoritariamente, os hábitos consumistas estimulam a compra compulsiva de produtos fúteis e desnecessários no momento, impulsionando exponencialmente a produção de resíduos. Segundo dados da Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais (Abrelpe), em 2018, o Brasil produziu, em média, 79 milhões de toneladas de lixo. Desse modo, a proporcionalidade entre alta produção e, posteriormente, o descarte, protagonizam os efeitos negativos na natureza, como os lixões a céu aberto, que poluem tanto o solo quanto a atmosfera. Ademais, tal agravante compromete a saúde dos mares, no qual o lixo geralmente é destinado.

Outrossim, é de extrema necessidade que haja o destaque à irresponsabilidade dos cidadãos para com o consumo e seus efeitos no meio ambiente. Comprovado pela Union + Webster, pesquisa realizada aponta que 87% da população brasileira prefere comprar produtos e serviços de empresas sustentáveis. Porém, 53% das cidades brasileiras descartam o lixo incorretamente, sendo o índice nacional de reciclagem de apenas 3,7%, segundo a Galileu. Analogicamente, a falta de conscientização desencadeia atitudes arriscadas ao ecossistema, como o uso de canudos plásticos, por exemplo, que quando chegam aos oceanos, causam mortes em massa das vidas marinhas, em especial as tartarugas.

Portanto, cabe as empresas reformularem seus mecanismos de produção, de forma que seja priorizada a sustentabilidade, por meio de reciclagem e reutilização, a fim de efetivar o modelo de vida ecológico na rotina dos brasileiros. Paralelo a isso, o Ministério da Educação deve estimular a responsabilidade e conscientização das crianças e jovens em ambiente escolar, por intermédio de palestras e práticas que desenvolvam a sensibilidade ambiental nos mesmos, visando reverter o preocupante cenário reiterado, e, assim, diminuir de modo gradativo a intensificação dos danos causados pelo homem.