O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/10/2020

No Pós-Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos passaram a exportar o “American Way Of Life”, que estimulava o consumo exacerbado de produto industrializados como meio para se alcançar a felicidade. Nessa perspectiva, na realidade brasileira atual, perpetuam-se ainda reflexos de tal ideologia importada, os quais são apresentados no alto grau de produção de lixo e de consumismo da sociedade brasileira. Portanto, pode-se afirmar que a padronização do estilo de vida consumista bem como baixa valorização dos hábitos sustentáveis são os principais fatores que agravam esse quadro.

Em primeiro plano, o sociólogo Theodor Adorno propôs o conceito de “Indústria Cultural”, segundo o qual há tentativa de padronizar o comportamento da população e facilitar o consumo. Nesse contexto, a sociedade brasileira atual é refém de um sistema tanto cultural quanto econômico, o qual, com a baixa exploração das práticas de economia e de compra consciente, induz a adoção de um estilo de vida consumista por grande parte da massa civil. Desse modo, a população é contida à aquisição excessiva e desnecessária de diversos produtos, com base somente em tendências e não em seus reais benefícios, aumentando as taxas de produção e de descarte dos resíduos de tal processo assim como dos produtos que não estão mais em evidência. Como consequência, apresenta-se a intensa acumulação de lixo em áreas de despejo, agravando a questão da sociedade de consumo e do lixo.

Outrossim, de acordo com dados da Política Nacional de Resíduos Sólidos, cerca de 30% de todo o lixo colhido no Brasil têm potencial de reciclagem, mas apenas 3% é reaproveitado e transformado novamente em produtos. Tal constatação expressa a baixa valorização dos hábitos sustentáveis, visto que existe grande capacidade para a adoção de técnicas de reutilização de tais materiais, porém não há nem incentivo e nem projetos expressivos. Nessa perspectiva, as corporações industriais e toda a massa civil continuam com costumes insustentáveis, os quais resultam no aumento da poluição de todos os recursos necessários para a sobrevivência. Assim, desenvolvem-se diversas doenças respiratórias e nutricionais relacionadas ao colapso gerado pela sociedade de consumo e pelo lixo.

Com base na discussão elencada, o Ministério do Desenvolvimento Social deve estimular a adoção de práticas consumistas mais conscientes, por meio de campanhas educacionais e projetos sociais, a fim de diminuir a aquisição exacerbada de produtos e instigar a diminuição da produção de lixo pelos cidadãos em questão. Além disso, o Governo Federal, em parceria com os grandes conglomerados industriais, necessita incentivar a reutilização e a reciclagem dos resíduos, por intermédio de concessões de bônus ficais, para que haja a valorização dos hábitos sustentáveis por todas as esferas sociais. Assim, observar-se-ia uma população mais inteligente e sustentável.