O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

Promulgada pela ONU (Organização das Nações Unidas) em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos os direitos mais básicos como o bem-estar social e a saúde. No entanto, a produção de lixo pela sociedade é tão grande que o sistema de saneamento básico é incapaz de dar a destinação adequada aos resíduos, levando cada vez mais a sociedade a um caminho rodeado pelo lixo e incapaz de garantir esses direitos universais em um futuro próximo. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que favorecem esse quadro, tais como o consumo desenfreado e a falta de reciclagem.

Em primeiro plano, é importante ressaltar que se houvesse a prática de consumo responsável, a quantidade de lixo gerada e a poluição dele seriam mínimas. Segundo o filósofo Zygmunt Bauman, a sociedade moderna é definida como uma sociedade líquida onde ocorrem diversas mudanças diariamente, reduzindo as possibilidades de criação de vínculos mais duradouros. Este pensamento vale tanto para as relações sociais, como também para as materiais. Hoje, o consumo desenfreado é muito influenciado pelas inovações tecnológicas constantes e tendências de consumo difundidas pelos canais de comunicação, o que leva as pessoas a buscarem sempre um produto novo, descartando, muitas vezes de forma errada, outros produtos que ainda conseguiriam cumprir seu papel de forma satisfatória.

Posteriormente, é possível destacar a precariedade no armazenamento de lixo no Brasil, em consonância a falta de reciclagem dos materiais que são descartados pelas pessoas, principalmente em áreas de classe média baixa. De acordo com o Plano Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), o Brasil tem potencial de reciclar cerca de trinta por cento do lixo produzido em seu território, entretanto, apenas três por cento desse material é de fato encaminhado para o tratamento e futuramente para reutilização. Dessa maneira, entende-se que o país pouco investe na renovação dos recipientes descartados, o que gera o acúmulo destes.

Portanto, a população deve controlar o consumo exagerado de mercadorias, se conscientizar e proteger o meio ambiente. Nesse sentido, cabe ao Governo, juntamente com o Ministério da Educação, ensinar ao indivíduo, desde a infância, não apenas a consumir, de modo responsável, mercadorias, mas também a reconhecer propagandas manipuladoras, por meio de palestras e discussões sobre o assunto, a fim de formar consumidores conscientes. Além disso, o Governo deve investir em coleta seletiva e gerenciar os descartes de forma correta, para que assim o Brasil se torne um País mais sustentável.