O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
Promulgada pela ONU em 1948, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito a um padrão de vida capaz de assegurar a saúde e o bem-estar social. Essa lei, embora correta, não é efetivada adequadamente a toda parcela da população, visto que, no hodierno cenário brasileiro diversos indivíduos sofrem com as consequências do aumento do lixo devido a sociedade consumista. Diante disso, nota-se que os principais fatores que corroboram para essa problemática é o descarte indevido do lixo e a obsolescência programada.
Em primeiro plano, vale destacar que o despejo incorreto de resíduos é responsável pela grande quantidade de lixo depositada na natureza. Segundo a ONU Meio Ambiente, apenas 2% do total de lixo produzido - 145 mil toneladas - são reciclados e o restante - 10 milhões de toneladas - são despejados nos oceanos. De forma análoga à esse dado, percebe-se como o gerenciamento inadequado de impurezas tem impactos negativos no meio ambiente, especialmente nos oceanos onde pode gerar doenças e - consequentemente - a morte de diversas espécies aquáticas. Tendo isso em vista, compreende-se que em virtude desse continuo descaso a natureza acaba sofrendo com a perda de sua biodiversidade, ocasionando um desequilíbrio ecológico que afeta também a vida de seres humanos.
Além disso, outro fator responsável pelos problemas causados pelo lixo em decorrência da sociedade consumista é a obsolescência programada dos produtos. Conforme pesquisas da Global e-Waste Monitor, o Brasil é líder na produção de lixo eletrônico na América Latina e sétimo no mundo, alcançando a marca de 1,5 mil toneladas por ano. Analisando essa informação, constata-se que a redução da vida útil dos dispositivos é a maior impulsionadora dessa problemática, visto que essa limitação induz a compra de um novo aparelho após um curto período de tempo, o que motiva a formação de novos indivíduos consumistas e - como efeito - a produção de lixo eletrônico. Ademas, hodiernamente as empresas não possuem políticas para aceitarem de volta os exemplares usados, resultando assim no despojo desses lixos eletrônicos em lugares inadequados.
Diante do exposto, medidas devem ser tomadas com o intuito de reduzir o lixo produzido pelo consumismo. Portanto, cabe ao Governo Federal - instância responsável por todo o território nacional - adotar sistemas de coleta, por meio de reembolso ao consumidor que retornar o produto ao ponto de coleta, a fim de que o resíduo seja destinado corretamente. Outrossim, compete a sociedade se conscientizar com a quantidade de lixo que vem sendo depositada na natureza, por meio da compra apenas de produtos que sejam construídos para durar, com o propósito de desestimular economicamente a prática. Dessa maneira, além de formar cidadãos mais responsáveis, será possível assegurar uma melhor qualidade de vida para todos os seres vivos e seu ambiente.