O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
No documentário “Trashed - para onde vai nosso lixo”, lançado em 2012, é apresentado o impacto causado pelo descaso da humanidade em monitorar o que acontece com seus rejeitos. Esse panorama auxilia na análise da relação do lixo com a sociedade de consumo no Brasil, uma vez que a quantidade de resíduos gerados no país aumenta exponencialmente e a degradação provocada por eles ameaça o estilo de vida atual. Nesse âmbito, pode-se afirmar que a problemática persiste devido ao consumismo desenfreado, bem como ao descarte inadequado de materiais.
Deve-se pontuar, de início, que o problema advém, em muito, da aquisição excessiva de bens supérfluos. Sabe-se que no Pós-Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos investiram na exportação do “American way of life”, que estimulava o consumo constante de produtos industrializados como forma de alcançar a felicidade. Nesse contexto, a sociedade brasileira contemporânea — refém de tal ideal capitalista — incentiva que o indivíduo consuma em proporções cada vez maiores e, consequentemente, se desfaça dos materiais com a mesma velocidade. Dessa forma, são gerados volumes excessivos de lixo, cujos locais para disposição adequada não têm mais condição de comportá-los.
Somado a isso, a disposição incorreta de resíduos corrobora com a perpetuação da problemática. Segundo o químico francês Antoine Lavoisier, “na natureza nada se cria, nada se perde, tudo se transforma”. A partir desse pensamento, depreende-se que muito do lixo produzido no Brasil tem o potencial de ser transformado em matéria-prima ou outros objetos úteis. Tal possibilidade não é devidamente explorada, no entanto, visto que poucos cidadãos praticam a coleta seletiva; é comum, porém, o descarte de resíduos em locais impróprios, como córregos e terrenos baldios. Como consequência, são ocasionados impactos negativos no meio ambiente e à saúde humana.
Com base na discussão elencada acerca da gestão do lixo na sociedade brasileira, o Governo Federal, em conjunto com as redes midiáticas, deve instruir o corpo social sobre o consumo consciente, por meio de campanhas de sustentabilidade, para que a população reduza as compras frívolas e a produção de resíduos. Além disso, o Ministério do Meio Ambiente, órgão que trata da política ambiental nacional, necessita reforçar a fiscalização e implantação da coleta seletiva nos municípios brasileiros, a fim de dar um novo destino ao materiais descartados e minimizar os impactos ambientais causados pela destinação inadequada de rejeitos. Desse modo, o país se certificará de que os restos da atividade humana não sejam um contratempo, mas uma fonte de oportunidades.