O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

O filme “Wall-e” retrata a história do planeta terra no futuro, ano de 2700, o qual se encontra inabitável devido à quantidade de lixo existente nele. Fora da ficção, pode-se perceber que a situação retratada no cenário cinematográfico se assemelha com a realidade brasileira do século XXI, uma vez que se vive um cenário conflituoso em relação à sociedade de consumo no Brasil que acaba por produzir muito lixo. Com isso, a rapidez do mundo globalizado e a falta de empatia para com o meio ambiente corroboram para a manutenção da problemática.

Em primeira análise, é evidente que com o advento da Revolução tecnológica, a sociedade começou a consumir muito mais do que o necessário. Isso posto, conforme o filósofo e sociólogo polonês Zygmunt Bauman, vive-se em tempos líquidos e nada foi feito para durar. De forma análoga a esse pensamento, é conspícuo que os indivíduos estão cada vez mais alienados ao capital. Nesse viés, existe certa necessidade do corpo social de adquirir suprema afluência de bens para suprir seus desejos momentâneos. Desse modo, as mercadorias passam a ser descartadas com certa facilidade a partir do momento que param de ser novidade, durando pouco, tal como discute Bauman.

Além disso, a falta de alteridade para com o meio ambiente por parte da sociedade consumista contribui para o fortalecimento da situação- problema. De acordo com a pesquisa realizada em 2019 pelo Fundo Mundial para a Natureza (WWF), o Brasil é o quarto país no mundo que mais produz lixo, gerando cerca de 11.355.220 toneladas, sendo que apenas 1,28% vai para a reciclagem. A partir disso, é indubitável o elevado índice de resíduos, uma vez que os indivíduos consomem e descartam em grandes proporções. Assim, a comunidade consumista coloca seu ego em primeira instância, não pensa nas consequências catastróficas para o meio ambiente e se torna uma sociedade jactanciosa. Desse modo, maiores investimentos na educação brasileira seriam eficazes para reduzir os impactos da problemática.

Torna-se evidente, portanto, a necessidade de se repensar sobre o lixo e a sociedade de consumo no Brasil. Assim, compete ao Ministério da Economia, instruir o corpo social sobre como administrar o seu próprio dinheiro, mediante a palestras, objetivando reduzir o consumo compulsivo por produtos que não são de extrema necessidade. Outrossim, cabe ao Ministério da Educação – órgão do Governo Federal brasileiro - atribuir novas disciplinas na grade curricular do território como Ética Ambiental, por meio da alteração na Lei de Diretrizes e Bases da Educação, a fim de fazer o indivíduo desenvolver um pensamento maduro de ambiente limpo e sustentável. Assim, esperam-se melhores projeções para o futuro.