O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/10/2020
Segundo Zygmunt Bauman, sociólogo polonês, “na sociedade de consumidores ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria”. Atualmente, à luz do legado do filósofo é notório que essa visão tematiza o consumo como figura principal das relações sociais hodiernamente, resultando assim, maior produção de lixo no Brasil. Dessa forma, o apelo comercial das empresas e a busca constante pela inclusão do corpo social são fatores preponderantes para tal questão.
Em primeiro plano, vale ressaltar que o advento da industrialização do Brasil ocasionou, no mandato de Vargas em meados do século XX, o aumento da produtividade industrial. Assim, com a oferta de produtos a preços acessíveis, a população aderiu ao consumismo exagerado, desencadeando maior produção de lixo. Nesse âmbito, é notório que a realidade se assemelha nos dias de hoje, haja vista que a mídia, juntamente com as empresas, impulsiona o consumo exacerbado da sociedade, lançando tendências em curto prazo. Em conjunto, o Governo corrobora com esse movimento em virtude da movimentação do comércio nacional, que eleva a economia do país. Em decorrência disso, tal disseminação de produtos, portadores de menor durabilidade, faz com que o indivíduo adquira constantemente novas mercadorias mais tecnológicas em pouco tempo de uso.
Por outro viés, cabe salientar que, promulgada pela ONU no século XX, a Declaração Universal dos Direitos Humanos garante a todos os indivíduos o direito à saúde e ao bem-estar social. Contudo, essa cláusula não se faz coerente com a realidade atual do país, já que o lixo gerado pelo alto consumo da sociedade brasileira impossibilita que tal parcela da população desfrute desse direito universal na prática. Isso porquanto a ótica da globalização e do capitalismo, na qual a sociedade está inserida, gera a necessidade constante de o corpo social adquirir as tendências difundidas, a fim de se enquadrar no padrão social vigente. Nesse sentido, o consumo acentuado é impulsionado pela falta de sensibilização sobre a importância da reciclagem do lixo e suas consequências, visto que o manejo dos descartes é ocultado de sua rotina.
Portanto, são inevitáveis ações proativas a respeito do lixo e da sociedade de consumo no Brasil, sendo imprescindível que os Governos Municipais elaborem um planejamento, a fim de destinar os detritos à reciclagem, mediante a cessão de capital público aos órgãos competentes, permitindo a reutilização daqueles para a produção de novas mercadorias. Ademais, cabe ao Ministério da Educação - instituição de alta relevância para o país – elaborar palestras sobre as consequências do consumo desenfreado, mediante incentivos fiscais, a fim de reduzir o consumo excessivo de produtos. Dessa forma, tais atitudes direcionarão para uma realidade comportamental preferível da sociedade.