O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

A animação Wall-E, lançado em 2008, retrata a história da sobrevivência da humanidade no espaço, após a Terra se tornar inabitável devido ao alto nível de lixo e gases tóxicos na atmosfera. Fora da ficção, percebe-se que o cenário apresentado pela obra cinematográfica assemelha-se ao contexto hodierno, visto que a superprodução de lixo dificulta a manutenção de um meio ambiente saudável. Nesse víeis, tornam-se evidentes a superprodução industrial bem como a má gestão governamental.

De acordo com Zygumunt Bauamn, sociólogo polonês, “A sociedade contemporânea vive uma modernidade “liquida” e “veloz” em que os indivíduos são cada vez mais expostos ao que é superficial”. De forma análoga a esse pensamento, devido à cultura do consumo, evidencia-se que a superficialidade da população se exalta resultando na valorização da aquisição de bens materiais. Assim, empresas multinacionais, como a Apple e Samsung, acabam por produzir itens menos resistentes com pouco tempo de duração e também versões de produtos melhores que as anteriores. Logo, a população Brasileira é estimulada a realizar a compra e substituição de produtos conservados, que ao serem descartados acumulam uma grande quantidade de lixo.

A Constituição Federal de 1988 afirma ser responsabilidade do poder público e da coletividade defender e preservar o meio ambiente. Porém, é evidente que esse dever não é comprido devido ao descaso governamental em assuntos relacionados à reciclagem. Nesse sentido, as verbas estaduais destinadas à gestão de resíduos são bem reduzidas, por ser considerado um assunto de importância limitada em comparação a outros temas sustentáveis. Além disso, em virtude de a sociedade e o governo não mostrarem interesse pela reciclagem, sendo assim uma pauta esquecida, muitos políticos acabam por desviar a verba para interesses pessoais. Logo, é formada uma sociedade sem conhecimento sobre a importância da reciclagem e indivíduos que se aproveitam da ignorância populacional para favorecer interesses pessoais que não beneficiam o bem comum.

Diante desse panorama, mostram-se necessárias medidas para a superlotação de lixo e sociedade do consumo no Brasil. Logo, cabe ao Ministério Publico incentivar o consumo consciente da população por meio de campanhas de conscientização e a implantação de propagandas, com o objetivo de reduzir a superlotação de resíduos e a consciência da população. Outrossim, compete ao Poder Judiciário divulgar a importância da reciclagem e também aumentar a verba destinada para a função, por intermédio da criação de ONGs, a fim de ressaltar a sua importância e tornar o assunto mais comentado para que não ocorra desvio de verba. Desse modo, o Brasil ira vivenciar um futuro mais sustentável para as próximas gerações.