O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

No Pós-Primeira Guerra Mundial, os Estados Unidos passaram a exportar o “American Way Of Life”, caracterizando o início de uma sociedade global, sobretudo, consumista. Nessa perspectiva, o que se vê no Brasil hodierno, principalmente no que tange à aquisição e ao descarte dos produtos, não é obstante do cenário norte-americano, haja vista as altas taxas de lixo provenientes do exacerbado consumismo da sociedade brasileira. Nesse viés, é possível afirmar que a massificação da produção de bens e a má educação ambiental contribuem, significativamente, para a perpetuação desse cenário negativo.

Em primeiro plano, deve-se analisar que o momento mundial atual é regido pelo capitalismo, que segundo Karl Marx “prioriza o lucro em detrimento de valores.”. Nesse sentido, a partir de tal afirmação, notam-se os impactos causados pela desenfreada produção de produtos por parte de empresas, sem a preocupação de como suas ações afetam toda uma população. Dessa forma, é perceptível o descaso com a sociedade por parte da maioria dessas instituições que utilizam o consumismo visando o lucro, de modo que haja uma necessidade equivocada da aquisição de certos produtos, fazendo com que seus bens atuais tenham um menor valor de status e assim sendo descartados na natureza, muitas vezes de forma incorreta.

Outrossim, além das indústrias, a educação também surge como um dos atenuantes ao consumismo e a produção de lixo. De acordo com dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, no ano de 2018, no Brasil, foram geradas 79 milhões de toneladas de resíduos sólidos urbanos. Diante disso, observa-se que a sociedade não possui hábitos ambientalmente saudáveis. Desse modo, é notório o abandono com o bem-estar social, visto que grande parte da população consume diariamente uma alta taxa de produtos que geram resíduos e que não possuem o conhecimento correto no que tange ao descarte desse lixo, poluindo cada vez mais os espaços urbanos das cidades. Dessa forma, torna-se perceptível que a falta de educação ambiental por parte dos brasileiros que, atrelado ao alto consumo, proporciona um maior descarte incorreto de lixo.

Portanto, faz-se necessário a busca pela harmonia entre consumo e a geração de resíduos sólidos. Assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com a mídia -principal meio de comunicação atual- por meio da criação propagandas acerca do consumo exagerado, conscientizar os problemas causados não só à natureza, mas também à população, a fim da diminuição da produção em massa. Além disso, é dever das instituições de ensino propagar o conhecimento sobre não apenas o descarte do lixo, mas também sua reutilização, por meio de aulas, visando romper a prática do consumismo e da alta produção de resíduos. Desse modo, poder-se-á ter a reedição do lixo e do consumo exacerbado.