O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 26/10/2020

“Na sociedade de consumidores ninguém pode se tornar sujeito sem primeiro virar mercadoria”. O pensamento do renomado sociólogo polonês Zygmut Bauman fala sobre o consumismo como principal das relações do hodierno. É nesse meio no qual surge a limitação da vida útil programada, em que novos produtos são fabricados para que os antigos se torem obsoletos e estimulem o comercio. Dessa maneira, a importância social alcançada pelo consumismo e a obsolescência programada incentivam o indivíduo a comprar cada vez mais, o que resulta numa maior produção de lixo além do consumismo excessivo.

A priori, é preciso que seja reconhecido que com a solidificação do capitalismo comercial, sobretudo após o final do século XX que marcou sua hegemonia sobre o mundo, as relações passaram a girar em torno do mercado. Com isso, o individuo que foi inserido no contexto de produção em massa, passou a enxergar no produto adquirido seu status social. Partindo de outra linha de raciocínio, segundo um conceito de Karl Marx chamado “fetiche de mercadoria”, o bem material adquire um significado maior que os outros ao poder ter uma projeção social e reafirmar seu estilo de vida, prova disto é o vídeo divulgado nas redes sociais intitulado “quanto custa o outfit?” no qual jovens brasileiros exibem um padrão de vida elevado e suas roupas são extremamente caras.

A posteriori, a produção de lixo resultante do consumismo desenfreado tem provocado inúmeros impactos no meio ambiente. Sendo assim, segundo o conhecido cientista Lavoisier “Na natureza nada se cria, tudo se transforma”, todo bem material adquirido num lixo acumulado após seu descarte, uma vez que o mesmo simplesmente não desaparece depois da coleta de lixo. Estes impactos vão desde a ocorrência de enchentes até mesmo a contaminação do solo pelo descarte incorreto do lixo eletrônico. Tal problemática, mesmo não parecendo deve ser debatida urgentemente.

Portanto, o impacto do consumo na vida social do indivíduo não pode ser menosprezado. Logo, cabe inicialmente ao meio social buscar desenvolver o “consumo consciente”, isto é escolher o que comprar para não exceder o limite e saber descartar o que não é de bom uso. Tais práticas se desenvolvem pelo planejamento na hora de efetuar compras para consumo além do hábito que deve ser natural de separar o próprio lixo, além de ver o que pode ser reaproveitado. Ademais cabe ao Estado promover incentivos fiscais para quem descartar de maneira inadequada o lixo além de estimular a prática consciente de tal ato. A partir de tais ações veremos que podemos avançar com relação ao meio ambiente.