O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 03/11/2020
O filósofo grego pré-socrático, Demócrito, citou, em uma de suas obras: “O animal é tão ou mais sábio do que o homem: conhece a medida da sua necessidade, enquanto o homem a ignora”. De maneira análoga ao pensamento do filósofo, a sociedade atual se dá de forma em que o consumo atua como figura principal nas relações sociais. É nesse contexto em que surge a obsolescência programada, alimentada pelo consumismo desenfreado, como fatores essenciais para um consumo cada vez maior, resultando na grande produção de resíduos que acabam sendo descartados de forma inapropriada ao meio ambiente.
Em primeira análise, observa-se que, em 2014, a pesquisa realizada pelo Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor (IDEC) demonstrou que 81% dos brasileiros trocam de celular em menos de 3 anos de uso sem antes recorrer à assistência técnica. Isso ocorre porque, de acordo com o Serviço de Proteção ao Crédito (SPC), em conjunto com a Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CDNL), apenas 31% da população brasileira se encaixa no quadro de um consumidor consciente, fazendo com que o consumismo negligente transforme em hábito comprar o não necessário.
Além disso, observa-se que, no início da década de 1970, com o surgimento do Toyotismo, modelo produtivo pautado na fabricação sob demanda, as indústrias começaram a conceber produtos menos duráveis, aumentando, assim, tanto o consumo de outros materiais por parte da sociedade, bem como o despachos dos mesmos de forma cada vez mais rápida. Dessa forma, além de forçar a população a comprar cada vez mais, a obsolescência programada causa o acúmulo de lixo eletrônico, como na região de Agbogbloshie, em Gana, onde 129 mil toneladas de resíduos são acumulados todos os anos.
Infere-se, portanto, que o cenário do lixo e da sociedade de consumo em questão no Brasil deve ser revisado. Nessa lógica, cabe ao poder legislativo evitar que as empresas que praticam a obsolescência programada deem informações parciais e imprecisas aos consumidores, através da criação de leis mais rígidas e de uma fiscalização mais efetiva. Além disso, é imperativo que as instituições de ensino promovam, desde o início da vida escolar das crianças, trabalhos e atividades no intuito de ensinar e alertar os mais jovens sobre os impactos e as consequências do consumo não moderado, além de melhor educá-los e informá-los sobre seus direitos e sobre os males trazidos ao meio ambiente pelo descarte irregular de resíduos sólidos. Dessa forma, tornar-se-á possível o combate efetivo ao acúmulo de lixo e ao consumismo desenfreado que assola a sociedade brasileira.