O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 05/01/2021
A atual etapa do desenvolvimento do capitalismo industrial caracteriza-se pelo consumo massivo que, por sua vez, corrobora com o crescimento da quantidade de lixo produzido. Posto isso, é imprescindível para a manutenção de um meio ambiente saudável que a coleta e o descarte desse material sejam efetivos. Entretanto, observa-se que, no Brasil, essas ações ocorrem inadequadamente em razão da falta de planejamento urbano e pela ineficiência das políticas públicas vigentes. Consequentemente, há o agravamento dos problemas ambientais que impactam diretamente a saúde humana. Dessa forma, é essencial a reflexão acerca do consumismo e os seus impactos.
Nesse contexto, salienta-se que as cidades brasileiras não possuem infraestrutura adequada para o descarte correto do lixo. Tal fato decorre da inexistência de planejamento urbano, cujo objetivo é melhorar a vida coletiva a partir da criação de infraestrutura, por meio de ações ambientais, como a educação ambiental e de ações governamentais, como a criação de políticas públicas, por exemplo. Assim, nota-se que o Estado brasileiro é conivente com a precariedade do sistema de coleta de lixo ao abster-se da criação de medidas eficientes de coleta e descarte de materiais usados. Além disso, com o aumento progressivo do consumo em massa, em razão do determinante geográfico e social, há o favorecimento do descarte em locais inadequados devido ao aumento da quantidade de lixo.
Por consequência do descaso, o lixo descartado erroneamente gera problemas ambientais que afetam a saúde do indivíduo. Segundo a Carta de Ottawa, o meio ambiente e a saúde humana são indissociáveis, logo, a ação dos órgãos públicos competentes é imprescindível para a criação de ambientes favoráveis à vida. Nesse sentido, a sociedade do consumo que é grande produtora de lixo devido a obsolência programada dos seus produtos e a alta quantidade de embalagens, em conjunto com a ausência do governo, causa problemas como a contaminação do solo e a proliferação de animais vetores de doenças que agravam a saúde da população que vive nos arredores desses locais. Desse modo, a sociedade do consumo produz graves problemas à saúde e ao meio ambiente.
Diante do exposto, urge que medidas eficientes sejam postas em vigor a curto prazo. Primeiramente, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com o Ministério do Desenvolvimento Regional, a criação de aterros sanitários e ecopontos nas cidades. Tal ação deverá ser executada por meio da elaboração de planejamentos que visem atender a alta demanda de lixo da sociedade moderna e também as questões ambientais, ou seja, que sejam longe de mananciais e impermeabilizados a fim de se evitar a contaminação do solo. Por fim, pretende-se com essa ação destinar os lixos a locais adequados e criar a infraestrutura necessária para melhorar a coleta de lixo nas cidades brasileiras.