O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 04/11/2020
A Revolução Industrial, que ocorre desde do final do século XVIII, introduz novidades de consumo com uma periodicidade curta e um baixo valor agregado a determinado produto. Essa democratização do acesso aos bens de consumo, que estão em constante evolução, resulta em um consumismo incoercível, seguida pela falta de planejamento ao destino dos produtos obsoletos. Nesse contexto, percebe-se um problema alicerçado na falta de um intervencionismo Estatal, acerca do lixo gerado por esse consumismo, e no ideal ilusório de satisfação que uma compra pode proporcionar ao consumidor.
Em primeira análise, a falta de uma administração governamental pode trazer caos ao tecido social, os órgãos públicos são responsáveis por ofertar saúde e dignidade à população, a exemplo do destino do lixo produzido por essa comunidade. Em destaque à Magna Carta brasileira de 1988, a qual garante um meio ambiente limpo e equilibrado, o Estado que não proporciona um descarte adequado, aos produtos de um consumo desenfreado, antagoniza um direito fundamental para o alcance da dignidade humana. Logo, presume-se que a produção excessiva de lixo não é o principal problema, mas a falta de um planejamento do Estado aos novos comportamentos sociais advindos da democratização do acesso a determinado produto.
Além disso, evidencia-se um novo comportamento, como já citado, baseado no imediatismo à aquisição de determinado item, sem uma utilidade plausível. Paralelamente, é analisado o caso dos celulares, que a cada nova mudança de tecnologia transformam os modelos anteriores em um objeto obsoleto, um lixo. Em alusão ao pensamento de Schopenhauer, o qual critica a busca do homem em satisfazer os seus desejos, essas grandes fabricantes de celulares, por exemplo, diverge a premissa do filósofo, visto que o consumismo é baseado em satisfazer os desejos do consumidor com novas tecnologias. Deste modo, constata-se que esse consumo inconsequente está baseado em um ideal ilusório, gerado por determinada compra, uma vez que, para Schopenhauer, é impossível o homem estar plenamente satisfeito.
Torna-se claro, portanto, a relevância de medidas corretivas à problemática em questão. Para que isso ocorra é necessária a intervenção do Estado, a partir do plano de gestão dos municípios, por exemplo, para o destino do crescente lixo gerado pelo consumismo, bem como, incentivos a empresas, que fabricam bens de consumo, a divulgar determinado produto sem a vinculação dos ideais ilusórios que esse pode gerar na vida do consumidor. Isso, consequentemente, tornaria acessível o ideal de consumo consciente e a dignidade, prevista na constituição, para todos os cidadãos brasileiros. Assim, haverá a resolução do impasse e o lixo, produzido pelo consumismo, não se alicerçará na sociedade.