O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 30/10/2020
No filme “Wall-E”, a Terra é retratada como um local abandonado pela humanidade, devido à alta concentração de poluição causada pelo excesso de lixo. Tal questão transcende a obra ficcional e mostra-se presente na realidade brasileira, por meio da produção exacerbada de resíduos e seu incorreto descarte, uma vez sustentados pela sociedade de consumo na conjuntura hodierna e pela falta de infraestrutura para a destinação do lixo gerado. Assim, faz-se imperiosa a análise acerca da problemática, para que se possa contorná-la.
Em princípio, vale destacar que o consumismo da população é fator determinante para a persistência do impasse. Segundo o filósofo Jean Baudrillard, vive-se na contemporaneidade a denominada “Sociedade de Consumo”, caracterizada pelo fato de que todas as relações humanas são mediadas pela aquisição de bens. Sob tal ótica, após a Revolução Industrial, que possibilitou um excedente produtivo, obteve-se o acúmulo de lixo, baseado no maior consumo pela coletividade para reafirmação de padrões sociais impostos pelas mídias no contexto do capitalismo. Logo, isso revela um conceito individualista, que resulta na intensa poluição pela grande quantidade de dejetos produzidos pela sociedade.
Ademais, convém ressaltar que a ausência de um destino adequado ao lixo no país contribui para esse quadro deletério. Conforme a lei instituída pela Política Nacional de Resíduos Sólidos, foi determinada a eliminação de todos os lixões e a busca por um melhor planejamento para o rumo dos objetos descartados. Porém, a insuficiência de aterros sanitários faz com que essa ação não se realize, o que sucede no direcionamento desses resíduos para áreas a céu aberto, as quais são responsáveis por inúmeros impactos socioambientais, como a proliferação de vetores de doenças e a contaminação de solos e águas. Destarte, torna-se evidente os prejuízos, tanto ao meio ambiente, como para a saúde humana, que o mal encaminhamento do lixo pode ocasionar.
Infere-se, portanto, que medidas são imprescindíveis, visando mitigar os entraves à resolução desse revés. Para tanto, urge que o Governo Federal promova debates sobre as consequências negativas do consumo compulsivo, principalmente, as referentes aos problemas relacionados ao lixo, por meio de discussões e documentários nos meios de comunicação - nos quais o senso crítico da população deve ser apurado e a autonomia despertada -, com intuito de cessar o consumismo dos brasileiros e não gerar grandes concentrações de resíduos. Outrossim, é mister que o Ministério do Meio Ambiente invista na construção de aterros sanitários, para dar um direcionamento adequado ao lixo produzido. Dessa forma, o cenário apresentado na animação cinematográfica, não sobrevirá futuramente.