O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 04/11/2020

O desencadeamento da explosão demográfica no Brasil, por volta da década de 1950, sendo resultado de medidas sanitárias e medicinais, associado ao aumento da demanda por produtos, evidenciou um novo contexto: a massiva produção de lixo no país. Analogamente a isso, a falta de um planejamento sustentável, por parte da sociedade como um todo, conduz às cidades a um caótico cenário sanitário urbano. Nesse sentido, em consonância com isso, convém analisar pontos como o consumismo exacerbado e os resultados da má deposição desses dejetos.

Em primeiro plano, no mundo atual, regulamentado pelo capitalismo e a globalização, o desejo desen-

freado de ter mais do que o necessário postula o presente contexto social. Assim sendo, para Hans Jonas, filósofo alemão, ser ético é ter comportamentos pensando no bem das gerações futuras. Entre-

tanto, a influência da mídia e das grandes multinacionais, em busco de lucro, corrobora para a potencia-

lização na obtenção de eletrônicos, comidas industrializadas, roupas e calçados da moda, associado ao isso, uso intenso de plásticos- item de longa degradação na natureza-; transformando as cidades em mares de lixo. Desse modo, nota-se como a escolha de atitudes egoístas e irracionais expõe a sérios riscos o próprio bem- estar e o de futuras gerações.

Além disso, atrelado a excessiva geração de resíduos, as incorretas decisões no despacho e na reuti-

lização propaga uma problemática maior. Nessa perspectiva, a Constituição Federal, promulgada em 1988, garante a saúde como um direito de todos e dever do Estado, visando sempre a redução dos riscos de doenças. Em vista disso, principalmente em áreas periféricas, o sistema de recolhimento de lixo é falho, proporcionando a deposição em terrenos abandonados ou até mesmo ruas, bem como a falta de aterros sanitários legitimam a existência de lixões à céu aberto. Dessa forma, intensifica o surgimento de enchentes e o desencadeamento de doenças- leptospirose-. Logo, a mínima atenção a uma patologia urbana tão presente propicia danos a direitos fundamentais dos cidadãos.

Fica evidente, portanto, que a questão sanitária envolvendo o lixo é uma mazela social que precisa de ações urgentes. Por isso, o Ministério do Meio Ambiente, em parceria com ONG´s, deve difundir a necessidade de medidas sustentáveis, como também direcionar corretamente o destino dos resíduos presentes nos centros urbanos.  Por meio da destinação de uma verba expressiva no orçamento anual do país para a execução de tais deliberações. Assim, com a divulgação de dados da produção diária de dejetos da nação brasileira, demonstrando-se potenciais doenças como resultados e projeções negativas futuras; também difundir a coleta individual seletiva e a criação de aterros sanitários. Espera-se, com isso, que o direito previsto na Constituição seja, de fato, respeitado e vivenciado.