O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 04/11/2020
Segundo o saudoso cantor Luiz Gonzaga, em um dos versos da sua música, “cadê o peixe que estava aqui? Poluição comeu”, retrata a preocupação e consciência do artista sertanejo com as causas ambientais e a necessidade da adoção de medidas que mitiguem o crescente descaso com a natureza. Nesse âmbito, fica visível que os diversos tipos de poluições dos espaços naturais são uma problemática para a sociedade brasileira, devido à falta de investimento governamental na reciclagem do lixo e a conscientização da população na adoção da coleta seletiva.
Em primeiro lugar, deve-se destacar que o poder público falha ao cumprir o seu papel enquanto agente fornecedor de direito mínimos, o que corrobora para perpetuação da poluição do meio ambiente. Nessa perspectiva, conforme dados do Jornal Folha de São Paulo, em 2019, o Brasil passou a ocupar o posto do 4o país com maior geração de lixo no mundo, reciclando apenas 1,28% do total produzido. Essa realidade torna-se evidente, já que é insignificante a parcela dos investimentos que são direcionados para o tratamento da grande quantidade de resíduos produzidos pela população. Desse modo, contribui-se para a permanência desse tipo de atitude negativa na sociedade.
Outrossim, vale ressaltar a necessidade da sociedade na participação de causas que visam o consumo consciente de produtos ecologicamente corretos e no descarte seletivo dos dejetos. Nessa lógica, em comparação à revolução industrial de 1930 no Brasil, a qual a produção dos bens de consumo cresceu significativamente, ao proporcionar maior consumo pela população e ocasionando um grande aumento da produção de lixo nas grandes cidades. Não diferente dos dias atuais, visto que é crescente o acesso da população a produtos com embalagens tóxicas provenientes de combustíveis fósseis, que levam cerca de 3 a 100 anos para se decomporem na natureza. Logo, é preciso uma intervenção para que essa inaceitável questão seja modificada com o propósito de alcançar uma integração mais sustentável com o meio ambiente.
Portanto, medidas estratégicas são necessárias para alterar esse cenário de extremo desequilíbrio ambiental. Para que isso ocorra, é imprescindível o esforço coletivo entre o Estado e a sociedade. Dessa forma, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, juntamente com instituições privadas, promover campanhas educacionais que atinjam efetivamente o maior número de pessoas, por meio de livros, revistas e palestras em escolas. Tais palestras devem ser transmitidas através de webconferências nas redes sociais e nos canais de comunicação governamentais, com o objetivo de proporcionar maior esclarecimento sobre a consciência ambiental e o descarte seletivo do lixo. Por fim, é preciso que a sociedade brasileira não seja comida pela própria poluição gerada, como retrata o cantor sertanejo.