O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 05/11/2020

O documentário “Trashed- Para onde vai nosso lixo”, produzido por Candida Brady, demonstra o destino dos resíduos sólidos em diversas localidades do planeta, em que expõe como os governos tratam a questão do lixo e a relação com a consciência consumista da sociedade. Nesse contexto, percebe-se que esse cenário caótico está presente no território brasileiro. Nesse âmbito, pode-se analisar que essa problemática persiste devido a infraestrutura precária dos locais destinados ao descarte desses rejeitos e a prática consumista dos indivíduos.

Inicialmente, é importante ressaltar que a escassez de estruturas básicas para o destino correto desses resíduos é um problema no país. A exemplo disso, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada em 2010, que prevê um conjunto de diretrizes para o descarte adequado do lixo em aterros sanitários. Mas, nota-se, na contemporaneidade, a ineficiência desse projeto, uma vez que, segundo dados do documentário “Trashed- Para onde vai nosso lixo”, o Brasil não conseguiu extinguir o uso de lixões devido a falta de fiscalizações em regiões que possuem esse sistema como forma de descarte desse dejetos. Além disso, a sociedade de consumo, a qual os indivíduos estão inseridos, potencializa a produção desses rejeitos sólidos em razão da aquisição de um grande volume de produtos que, na maioria das vezes, têm uma obsolescência programada - que é o tempo útil dos utensílios-, o que gera um enorme desperdício por parte do cidadão.

Ademais, é imperativo pontuar as consequências negativas da produção excessiva de lixo. Tendo como exemplo disso, os dados da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe), que afirma que, por ano, em média, 30 milhões de toneladas de rejeitos são depositados nos lixões sem qualquer tratamento. Dessa forma, isso desencadeia uma série de contaminação em face da produção do gás metano, que é um agravante do efeito estufa,  e da decomposição da matéria orgânica que gera o caldo chorume, em que é altamente poluente. Soma-se à isso, a proliferação de vetores de doenças, como os ratos, que são transmissores de diversas patologias como, a leptospirose e a hantavirose, que possui a possibilidade de contaminação dos humanos.

Portanto, é notório que a questão do lixo e da sociedade de consumo são empecilhos no país. Sendo assim, cabe ao Ministério do Meio Ambiente em parceria com as empresas recicladoras de lixo, promover a concretização da Política Nacional de Resíduos Sólidos, por meio da liberação de recursos financeiros para a construção de aterros sanitários e a contratação de profissionais adequados, especialmente, aqueles que irão realizar a separação dos resíduos nas grandes cooperativas, a fim de destinar um depósito adequado do lixo.