O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 10/11/2020
A partir da Revolução Industrial, diversas nações passaram por profundas transformações, não só econômicas, bem como sociais. Dessa forma, o consumo de bens na sociedade brasileira aumentou drasticamente e trouxe consequências para o meio ambiente, tendo como exemplo o crescente montante de detritos descartados na natureza. Dessa maneira, evidencia-se a configuração de uma problemática, em virtude da redução gradual do tempo utilizável dessas mercadorias e das sequelas ambientais que a obtenção indiscriminada de produtos pode gerar.
Antes de tudo, a limitação da vida útil desses fabricados é regularmente observada. Nesse sentido, a prática da obsolescência programada entrou em vigor, pois na segunda revolução industrial, o modelo fordista vigente naquela época produzia manufaturados com alta durabilidade e desenfreadamente e, progressivamente, os números de produção superaram as vendas e lotaram os estoques das fábricas, ruindo o sistema. Assim, a política de produzir de acordo com a demanda e com menos validade foi adotada a partir do modelo toyotista e perdura até hoje. Nesse contexto, atualmente esse fenômeno ainda pode ser notado em diversas indústrias, como na industria de telefones celulares que, em geral, é renovada todo ano com novos modelos que reduzem gradativamente a vida útil dos modelos mais antigos, dado que os exemplares datados perdem atualizações de sistema ao longo do tempo.
Ademais, essa obsolescência gera o aumento de lixo em espaços ecossistêmicos. Desse modo, de acordo com o Fundo Mundial da Natureza (WWF), o Brasil é o quarto país que mais produz lixo no mundo. Em suma, a redução da vida útil de fabricados gera um grande volume de detritos que é descartado em áreas naturais e pode gerar efeitos prejudiciais. Assim sendo, uma adversidade gerada por esse fenômeno é a morte de algas nos oceanos contaminados, visto que esses seres necessitam de luz para realizarem a fotossíntese e, quando a concentração de resíduos impede a entrada de luz na água, esses organismos morrem e todo o ecossistema local é afetado, uma vez que esses seres autotróficos são os produtores da cadeia alimentar oceânica.
Infere-se, portanto, que essas práticas consumistas devem ser delimitadas. Sendo assim, o Ministério do Meio Ambiente, juntamente ao apoio das entidades escolares, deve, por meio de verbas públicas, adicionar na grade das escolas aulas sobre consumo consciente. Logo, nessas aulas seriam demonstradas as consequências da consumação desenfreada de recursos e os educandos receberiam orientações do descarte correto de lixo. Além disso, os alunos seriam estimulados a passarem os conhecimentos adquiridos aos seus responsáveis para que diversas esferas sociais sejam abrangidas. Em síntese, por meio dessas ações, a população seria mais consciente em relação aos seus hábitos.