O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 22/11/2020
No longa-metragem “Wall-e”, da Pixar, é retratado um futuro distante em que a humanidade abandonou a Terra, após soterrar o planeta com lixo. Contudo, apesar de se tratar de uma ficção, a trama faz refletir nos impactos da sociedade do consumo. Ao analisar a situação do lixo no Brasil atual, verifica-se que a problemática se encontra repleta de entraves, sendo esses causados, dentre muitos fatores, pela influência do sistema capitalista, além da insuficiência das políticas públicas.
Convém ressaltar, a princípio, que o consumo inconsciente da população afeta, de maneira negativa, a produção de lixo. Uma vez que, imersa em uma lógica capitalista, a sociedade passa a internalizar falsas necessidade de aquisição de produtos, sem questionar a necessidade útil do ato. Comprovando, dessa forma, o pensamento do sociólogo Herbert Marcuse, o qual afirma que em sociedades industriais, uma série de elementos, como comunicação, cultura e publicidade obrigam as pessoas a fazer parte do modo de produção e consumo. Por consequência, esse cenário favorece a acumulação insustentável de resíduos. Dessa feita, ressalva-se a necessidade de mudança dessa conjuntura.
Outrossim, vale salientar que a pouca efetividade de medidas do poder público quanto ao destino do lixo, acaba agravando um problemática. Isso porque, a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), ação que visava o fim do lixões e descarte correto do lixo nos municípios, ficou no ostracismo quanto a sua efetividade na prática. Como prova disso, o Brasil tem mais de 3 mil lixões funcionando em mais de 1600 municípios. Tais fatos evidenciam não apenas a gravidade da situação, mas também a falha do Estado em prover qualidade de vida para a população.
Diante do exposto, urge que medidas mais eficazes sejam efetivadas parar mitigar a questão do lixo e do consumismo no Brasil. Para tanto, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, aliado às esferas municipais e estaduais, a realização de projetos com empresas recicladoras de lixo, por meio de inclusão na agenda governamental, a afim de não apenas reintroduzir o resíduo no ciclo de produção industrial, mas também de reduzir os impactos ambientais nos lixões. Concomitantemente, é papel do Ministério da Educação, a realização de palestras , comandadas por biólogos, sobre os impactos do consumo desregulado e o descarte residual, no intuito de promover uma educação ambiental desde a tenra idade .Somente assim, a realidade em “Wall-e “, ficará apenas na ficção.