O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 06/12/2020

A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) criada em 2010 tem como objetivo a redução da quantidade de resíduos direcionados para aterros sanitários e lixões. Em contraste com esse conjunto de diretrizes, o cenário hodierno no Brasil mostra-se em discordância a essa política, visto que uma estrutura social brasileira caracterizada pelo consumismo e a infraestrutura precária de destinação desses resíduos corroboram com a crise de lixo do Brasil atual.

A princípio, é lícito destacando que o tecido social do país é um forte fomentador dessa problemática. Segundo o filósofo contemporâneo, Jean Baudrillard, vive-se na atualidade à chamada “Sociedade do consumo”, caracterizada pelo fato que de todos as relações e ações humanas são mediadas pela aquisição de bens, produtos ou serviços. Essa conjuntura foi intensificada pelo “American Way of Life”, ou seja, estilo de vida norte-americano, na qual foi difundida mundialmente por meio da cinematografia americana, principalmente a partir da década de 1950, sendo um modelo pautado pela aquisição da realização pessoal pelo viés do consumo. Dessa forma, criou-se a cultura do consumismo como eixo central da existência, acarretando posteriormente em um excesso de lixo oriundo da compra descontroladas.

Além disso, no contexto do Brasil atual, a falta de aterros sanitários suficientes para a destinação final desses dejetos faz com que a maior parte do lixo no Brasil seja levada a lixões, contrariando a Política Nacional de Resíduos Sólidos que determinava o fechamento de todos os destinos a céu aberto desses resíduos. Observa-se, consequentemente, uma série de prejuízos ambientais a partir da produção e destinação descontrolada do lixo. Inicialmente, a produção de chorume pela matéria orgânica presentes nesses produtos podem contaminar não apenas o solo, mas também os cursos d’água, a partir da infiltração do lençol freático. Adicionalmente, nota-se a emissão de gases ligados ao efeito estufa, por exemplo do gás metano, na qual acentua a crise climática recente. No campo social por sua vez, há uma população economicamente vulnerável que depende do lixo para sobreviver, e que se mostra mais propicia de ser atingida por doenças infecciosas carregas por vetores atraídos pelo lixo a céu aberto.

É necessário, portanto, que se combatam os valores dessa sociedade de consumo. Assim, com vistas a desconstruir e frear o consumismo entre os brasileiros, é preciso que ONG’s ligadas às questões socioambientais organizem campanhas a serem veiculadas nas principais meios de comunicação, como televisão, rádio e redes sociais, devido a sua grande abrangência em que sejam explicados os danos do consumismo, bem como implementados para reduzir o consumo e reaproveitar esses materiais.