O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 07/12/2020
A Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS), criada em 2010, tem como objetivo a redução da quantidade de resíduos direcionados para aterros sanitários e lixões. Em contraste com esse conjunto de diretrizes, o cenário hodierno no Brasil mostra-se em discordância a essa política, visto que a estrutura social brasileira caracterizada pelo consumismo e a infraestrutura precária de destinação desses resíduos corroboram a crise de lixo do Brasil atual.
A princípio, é lícito postular que o tecido social do país é um forte fomentador dessa problemática. Segundo o filósofo francês contemporâneo Jean Baudrillard, vive-se na atualidade a chamada “Sociedade do consumo”, caracterizada pelo fato que de todas as relações e ações humanas são mediadas pela aquisição de bens, produtos ou serviços. Essa conjuntura foi intensificada pelo “American Way of Life”, ou seja, estilo de vida norte-americano, a qual foi difundida mundialmente por meio da cinematografia americana, principalmente a partir da década de 1950, sendo um modelo pautado pela aquisição da realização pessoal pelo viés do consumo. Dessa forma, criou-se a cultura do consumismo como eixo central da existência, acarretando posteriormente um excesso de lixo oriundo da compra descontrolada.
Além disso, no contexto do Brasil atual, a falta de aterros sanitários suficientes para a destinação final desses dejetos faz com a a maior parte do lixo no Brasil seja levada a lixões, contrariando a Política Nacional de Resíduos Sólidos que determinava o fechamento de todos os destinos a céu aberto desses resíduos. Observa-se, consequentemente, uma série de prejuízos ambientais a partir da produção e destinação descontrolada do lixo. Inicialmente, a produção de chorume pela da matéria orgânica presente nesses produtos pode contaminar não apenas o solo, mas também os cursos d’água, a partir da infiltração do lençol freático. Adicionalmente, nota-se a emissão de gases ligado ao efeito estufa, por exemplo do gás metano, a qual acentua a crise climática recente. No campo social, por sua vez, há uma população economicamente vulnerável que depende do lixo para sobreviver, e que se mostra mais propícia de ser atingida por doenças infecciosas carregas por vetores atraídos pelo lixo a céu aberto.
É necessário, portanto, que se combatam os valores dessa sociedade de consumo. Assim, com vistas a desconstruir e frear o consumismo entre os brasileiros, é preciso que ONG’s ligadas a questões socioambientais, por meio do repasse de verbas do Banco Central, organizem campanhas a serem veiculadas nos principais meios de comunicação, como televisão, rádio e redes sociais, devido à sua grande abrangência para que sejam explicados os danos do consumismo, bem como estratégias para reduzir o consumo e reaproveitar esses materiais.