O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 14/12/2020
A animação “Wall-E” representa um futuro distópico, no qual a enorme quantidade de lixo advindo do consumo tomou a Terra e o seres humanos tiveram que abandonar o planeta. Infelizmente, o que antes somente era visto como uma ficção, tem tornado-se cada vez mais presente no cotidiano brasileiro, já que o ajuntamento de lixo que vem do consumismo, muitas vezes é justificado pela busca por ascensão social. E mais, a natureza sofre com os efeitos desse intenso volume de compras. Desse modo, fica clara a relação do consumo exacerbado em busca de relevância social com o acúmulo de lixo, e esses aspectos geram impactos que atingem até mesmo o meio ambiente.
Nesse sentido, antes de tudo, vale salientar a importância dada ao sentimento de pertencimento e o valor que o ser humano precisa ter no seu contexto social e o quanto o que se tem pode favorecer esse processo. Essa temática foi abordada na obra “Sociedade do Espetáculo“ de Guy Debord. No livro, o filósofo critica o fato das posses pessoais terem mais valor do que como os indivíduos verdadeiramente são. Porém, essas coisas têm validade rápida, e são deixadas de lado e novos itens devem ser obtidos, o que gera mais lixo. Dessa forma, é indubitável o quanto as relações sociais interferem na compra de produtos o que acarreta mais sujeira, que muitas vezes são descartadas de maneira incorreta.
Consequentemente, impactos ambientais são inevitáveis dentro desse panorama de compras excessivas, produção de lixo e inadequado destino desses resíduos. A partir disso, dados como o da organização não governamental WWF, que atua na área de preservação ambiental tornam-se corriqueiros. Em 2019, a ONG atribuiu a Brasil o título de quarto país que mais produz lixo no mundo, o que revela que a cultura consumista nacional deve ser revista e, principalmente, deve haver uma maior consciência sobre o procedimento de rumo do lixo.
Portanto, é certo que a sociedade de consumo implica em acúmulo de lixo e consequente degradação ambiental. Dessa maneira, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com entidades de terceiro setor, ofertar informações sobre o tema e explicitar os efeitos dessa relação. Isso poderá se dar por meio de um projeto de lei entregue à Câmara dos Deputados, no qual, será possível destinar recursos para levar eventos e palestras com profissionais capacitados e representantes dessas ONGs para intuições educação com objetivo de expor aos jovens os impactos dos hábitos de consumo. Além disso, devem ser ministradas medidas práticas de como melhorar a destinação dos resíduos e amenizar o valor social dados aos objetos. Assim, em longo prazo, será possível construir uma nova cultura, com melhores hábitos de consumo e conscientização da questão do lixo aos brasileiros, o que distanciará a sociedade do mundo mostrado em Wall-E.