O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 11/12/2020

No filme de animação “Wall-E”, dirigido por Andrew Staton, é retratada uma distopia social em que a humanidade -após inúmeras ações poluentes- é obrigada a deixar o planeta. Nesse contexto, a sociedade vive em naves espaciais, pois o mundo tornou-se inabitável após o montante exacerbado de resíduos. Paralelo ao ambiente ficcional, a realidade faz-se semelhante, e o lixo é uma das principais problemáticas hodiernas. Assim, entre os fatores que contribuem para solidificar esse quadro, destacam-se a alta produção, bem como os impactos gerados pelo descarte impróprio.

Decerto, o sistema capitalista -na busca constante pelo lucro- incentiva padrões de consumo exagerados na sociedade. De maneira análoga a esse cenário, o documentário norte-americano “A História das Coisas” retrata os danos causados pela sociedade atual e seu padrão de consumo. Nesse sentido, além da extração desmedida de matéria prima, o ensaio expõe a “Cultura do Desperdício”, que tem como consequência a alta produção de lixo. Com efeito, percebe-se a fugacidade dos valores consumistas atuais, marcados pela troca rápida de mercadorias, além da obsolescência programada que obriga os consumidores a comprarem mais produtos e, assim, gerarem mais dejetos. Desse modo, é notável que inúmeros produtos, ainda em pleno funcionamento, são descartados pela população e acarretam o aumento da quantidade de lixo.

Por conseguinte, é evidente que o manuseio equivocado dos rejeitos favorece o desenvolvimento de danos ambientais e sociais. Sob tal ótica, embora a Política Nacional de Resíduos Sólidos (PNRS) tenha estimulado a adoção de padrões sustentáveis a fim de minimizar os impactos ecológicos, é notável que seu cerne -desativar todos os lixões até 2014- não foi cumprido. Dessa forma, devido à ausência de projetos públicos eficientes, as formas de descarte de objetos contribuem para problemas como a contaminação do solo, proliferação de doenças à população e poluição hídrica. Logo, o cenário de dejetos brasileiros atual se assemelha ao exposto em “Wall-E” e a forma de descarte é inapropriada.

Destarte, frente a provectos fatores de consumo e danos acarretados pelo descarte, o lixo é um empecilho hodierno. Portanto, o Ministério da Educação, como instância máxima dos aspectos de aprendizagem, deve adotar estratégias acerca dos padrões de compra tupiniquins. Essa ação deve ser feita por meio de campanhas publicitárias de incentivo ao consumo consciente e à minimização do descarte de produtos ainda com vida útil, a fim de diminuir a produção de lixo no Brasil. Ademais, cabe ao Ministério do Meio Ambiente, em parceria com as organizações ambientais, elaborar mudanças na PNRS no tocante à torná-la mais eficaz e passível de aplicação na sociedade, com o fito de promover a desativação dos lixões e a adesão de condutas de descarte sustentáveis.