O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 22/12/2020
Em sua obra “Modernidade Líquida”, o sociólogo Zygmunt Balman enfatiza as ações da sociedade do consumo e a insatisfação intrínseca a ela. Outrossim, o consumo não afeta somente a felicidade frágil das pessoas, também aumenta, consideravelmente, o lixo incorretamente destinado e em excesso que demonstra as relações e consumo obsoletos das sociedades atuais. Desse modo, o lixo oriundo do consumo desrregulado aumenta os problemas sociais e ambientais que são, na mesma proporção, camuflados pela lógica capitalista. Em primeiro lugar, é válido ressaltar que os problemas sociais oriundos do lixo englobam - além da coleta e políticas relacionadas - questões existenciais. Acerca disso, Bauman continua pontuando o comportamento dos indivíduos que agregam valores ao que possuem, porque, “ser excluído é humilhante”; ou seja, as relações e imagens são meros rótulos. A verdade está em ter e não em ser. Em concordância, Marx expõe a coisificação do mundo, do homem, seu consumo e sua alienação, isto é, consome-se mais para o reconhecimento, objetifica-se excessivamente em busca do lucro e produz-se o lixo e resíduos como um atestado de desenvolvimento e inserção na economia global dissimulada. Em segundo lugar, salienta-se a falta de políticas eficazes de destinação e manejo do lixo e, concomitantemente, as consequências para o meio ambiente. Segundo dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), mais de 20 milhões de brasileiros não possuem acesso a nenhum tipo de coleta de lixo e, para agravar a situação, vem-se produzindo mais e coletando menos. Em 2019 foram geradas 79 milhões de toneladas de resíduos no Brasil de acordo com a Associação Brasileira das Empresas de Limpeza Pública (Abrelpe). Por fim, a manutenção do status quo excluí as consequências ambientais e socias do seu produto final: o lixo. Portanto, são necessárias políticas que atenuem a problemática citada. Para isso, os governos municipais devem agir dentro das cidades, aliados aos governos estaduais e federais, reorganizando as políticas de coleta em geral e desenvolvendo a coleta seletiva eficiente para que a reciclagem e o destino correto dos resíduos atenuem os problemas que estes causam. Isso pode ser feito a partir de parcerias com cooperativas de coleta e profissionalização dos catadores de lixo reciclável. Além disso, rigorosas multas deverão ser aplicadas aos municípios que utilizam lixões a céu aberto e contribuem para a contaminação da natureza e mal estar da população que vive próxima. Do mesmo modo, a população deve ser responsável pela separação e contenção da produção de lixo adquirindo hábitos de consumo mais saudáveis (tanto na alimentação, como em objetos pessoais) e humanos, visto que a quantidade de lixo produzido é muito superior a capacidade e necessidade das pessoas e do meio ambiente.