O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 23/12/2020

No filme " Wall-E “, é retratado um futuro distante em que, após soterrar o planeta com lixo e poluir a atmosfera, o ser humano deixa a Terra para morar numa nave gigantesca. Não distante da ficção, percebe-se que o Brasil caminha para a mesma realidade, haja vista a grande produção de resíduos devido o consumo exacerbado da população. Assim, é lícito afirmar que a postura do Estado e a negligência de parte da sociedade contribuem para a perpetuação desse cenário negativo.

Em primeiro plano, evidencia-se, por parte do Estado, uma falta de preocupação referente às questões ambientais. Isso porque, na década de 1950, o governo Juscelino Kubitschek promoveu, por meio do plano " Tripé Econôminco “, a industrialização do Brasil e o consequente crescimento das cidade sem que houvesse, no entanto, uma política pública para o desenvolvimento sustentável. Nesse sentido, a produção em grande escala e a disponibilidade de diversos produtos, fez surgir uma sociedade consumista alienada, o qual fazem compras apenas para satisfazer os seus desejos e não por necessidade, pois de acordo com um estudo da CNDL (Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas), cerca de 3 em cada 10 consumidores no Brasil consideram as compras como o tipo de lazer favorito. Desse modo, urge a necessidade de ações governamentais para instruir a população sobre as consequências de seu consumo sem controle.

Outrossim, comprova-se, por parte das escolas, a ausência de conceitos ligados ao consumo e meio ambiente. O sociólogo Edgar Morin desenvolveu o conceito de " pensamento sistêmico “, segundo o qual é preciso ir além de um pensamento linear, que simplifica a realidade, sendo necessário considerar as mais diversas redes de relações de causa e efeito. Sob essa lógica, em vez de ser priorizado apenas o interesse acadêmico, deve-se observar, por meio de um olhar transdisciplinar, o impacto social e ambiental, visto que o consumo de forma negligente faz com que a cada ano os recursos sejam esgotados cada vez mais cedo e muitos produtos vão para o lixo ainda em bom estado para consumo. Logo, ações sustentáveis requerem, pois, uma mudança de olhar, que deve ser construído socialmente dentro do ambiente escolar.

Portanto, cabe ao Governo Federal, mediante subsídios tributários, investir em políticas públicas de gestão de resíduos, como por exemplo, a construção de aterros sanitários, a fim de erradicar os lixões a céu aberto e dar um destino ambiental correto aos resíduos sólidos. Além disso, compete às escolas abordar o tema consumismo e meio ambiente dentro da sala de aula, por intermédio das disciplinas de Biologia e Geografia, de modo que os jovens criem o hábito de consumir produtos biodegradáveis e o que for necessário. Só assim, será possível evitar que casos, como do filme " Wall-E “, venham ocorrer.