O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 03/01/2021
O filme “Wall-E” mostra a história de robôs que ficaram encarregados de limparem a Terra, enquanto os humanos viviam em naves espaciais. Assim, a animação não erra ao ressaltar o lixo como um impacto ambiental, evidenciando a negligência e o descaso da população. Dessa forma, seja pelo consumismo exacerbado ou pela pouca educação ambiental, os resíduos sólidos configuram-se como um problema na sociedade atual, e sendo o Brasil o 4° maior produtor de lixo do mundo, segundo dados do Fundo Mundial para Natureza (WWF), discute-se, portanto, o lixo e a sociedade de consumo.
Primeiramente, é importante salientar os extremos contemporâneos. De um lado, a tecnologia surpreende pelas inovações. De outro, o comportamento humano está estagnado numa cultura de valores distorcidos, comprovando a teoria de Ortega y Gasset sobre quanto mais avançada a sociedade, maiores os problemas. Outrossim, carecemos de uma cultura que olhe para o meio ambiente como parte essencial da sociedade, e esse pensamento não irá se concretizar somente com leis e fiscalização no intuito de não descartar o lixo de forma inadequada, mas através da educação ambiental. Logo, segundo Marcos Reigota, sustentabilidade não é somente repassar informações sobre como tratar do lixo de forma correta, mas envolver toda a população na solução desse problema.
Consequentemente, não só a natureza, mas todo indivíduo sofre com os reflexos do lixo e da sociedade de consumo. Segundo dados do Ministério do Meio Ambiente, 56% das cidades brasileiras depositam lixo de forma incorreta, poluindo rios, solos e agravando o efeito estufa, com o acúmulo de matéria orgânica que emite o gás metano (CH4). Ademais, Aldous Huxley afirma sobre um “sistema de escravatura onde os escravos amam a escravidão”, inerente ao consumismo, logo, enquanto o interesse econômico for maior que a preservação ambiental e as práticas de reciclagem, essa mazela não irá se atenuar.
Fica evidente, portanto, que o lixo e a sociedade de consumo configura-se como um problema na sociedade atual. O Poder Público junto com o Ministério do Meio Ambiente, deve, disponibilizar professores, biólogos e palestrantes, em instituições de ensino, na finalidade de educar a sociedade com a prática dos “3 erres” (3R’s): reduzir, reciclar, reutilizar. Além disso, com o apoio da mídia como diifusora do conhecimento e da informação, ajudar a propagar técnicas de reciclagem de materiais plásticos e repassar dados sobre as condições ambientais atuais.