O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 06/01/2021
No documentário “Lixo Extraordinário”, o artista plástico Vik Muniz com a ajuda de catadores, cria e desenvolve obras de arte com materiais descartados no Jardim Gramacho, maior aterro sanitário da América Latina, mostrando um cenário precário em relação ao descarte do lixo. Nessa perspectiva, percebe-se uma problemática em torno da situação do lixo e a sociedade de consumo no Brasil, dado que a federação contemporânea não tem tratado esse problema como uma questão social. Nesse contexto, torna-se evidente como causa a presente lacuna informativa, bem como o intenso consumismo.
A princípio, a carência educativa sobre o problema, caracteriza-se como um complexo dificultador. Nessa lógica, no livro “Vidas Secas” de Graciliano Ramos, o protagonista Fabiano, privado do acesso ao conhecimento, acaba sendo explorado por aqueles que usufruíam do saber. Nesse sentido, o panorama brasileiro não foge da realidade do personagem em relação a separação dos resíduos para a coleta, dado que, segundo o Instituto Brasileiro de Opinião Pública e Estatística, cerca de 39% dos brasileiros dizem não separar o lixo orgânico do reciclável e 76% não fazem a separação por tipo de material. Logo, é nítido que esse hábito da população denota um grande desleixo quanto ao descarte correto do lixo, que deriva de uma lacuna informativa e favorece o caos nessa questão.
Além disso, é preciso atentar para o consumismo agudo como sendo um empecilho para a resolução desse impasse. Nesse viés, desde o fim da Guerra Fria, em 1985, e a consolidação do modelo econômico capitalista, cresce no mundo o consumismo desenfreado. Desse modo, de acordo com dados do Indicador de Consumo Consciente, apenas 11% dos brasileiros são consumidores responsáveis. Dessa forma, tais fatores demonstram que pouca parte da população adota práticas mais conscientes, e revela que a maioria dela compra em excesso, contribuindo para o alto índice de resíduos deixados nos lixões, ou até mesmo na criação de mais lugares inadequados para abandonar os materiais rejeitados.
Dessarte, é evidente que a problemática do lixo e a sociedade de consumo no Brasil é uma questão social que precisa de soluções pontuais. Portanto, é necessário que o Ministério da Educação, em parceria com o Ministério do Meio Ambiente, crie campanhas instrutivas, como comerciais e eventos públicos, por meio de verbas governamentais, com o auxílio de profissionais da área, de maneira que ensine e conscientize a população a ter uma maior responsabilidade monetária e eduque sobre o descarte correto do lixo. Ademais, é essencial que esses ministérios cuidem para que a incorporação dos processos de reciclar, reduzir e reutilizar sejam abordados nas salas de aula, de maneira que os estudantes aprendam e pratiquem essa metodologia desde o básico, trazendo esse hábito para a vida. Assim, talvez, o lixo seja descartado corretamente e o número de resíduos diminuam.