O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 03/01/2021
Em meio à Revolução Industrial, as tecnologias digitais deixaram de ser um mero componente para ser o próprio ambiente, a malha social e econômica nas quais as relações se constituem. Paralelo a esse contexto, o avanço do sistema capitalista recai sobre o desejo insaciável pela busca de novos aparelhos advindos dessa nova era tecnológica, corroborando para o rápido descarte dos produtos devido à obsolescência programada. Assim sendo, o crescimento do lixo acumulado tem sido um problema no Brasil em razão da falta de consciência ecológica, fato que gera danos ao meio ambiente. Em primeiro plano, cabe destacar as causas de os eletrônicos estarem sendo descartados tão rapidamente. Isso acontece devido à associação de dois fatores característicos da sociedade de consumo do século XXI: precária educação ambiental e a obsolescência programada. Nesse contexto, os tecnopolos - centros tecnológicos responsáveis pelo desenvolvimento de novas tecnologias - estão constantemente lançando produtos cada vez mais avançados, mas de baixa durabilidade. Logo, a população, buscando manter-se constantemente atualizada, adquire essas novas mercadorias e descarta de maneira inadequada, como em lixos comuns, as que previamente possuíam.
Outrossim, desfazer-se desses eletrônicos sem uma apropriada coleta seletiva acarreta em inúmeras consequências ambientais. Sob tal ótica, pode-se citar o agravamento dos processos de bioacumulação, nos quais substâncias toxicas se depositam no solo ou na água e, de forma gradativa e involuntária, se acumulam no organismo dos seres vivos que vivem nesses locais. A exemplo disso, o filme “Wall-E”, da Disney, retrata uma distopia na qual o acúmulo de lixo na Terra obrigou os humanos a procurarem outros planetas como moradia. Dessarte, o acúmulo exponencial desses aparelhos no meio ambiente ameaça a longevidade de toda a população.
Assim, um grande desafio no Brasil, atualmente, é desenvolver comportamentos sustentáveis que caminhem lado a lado com o crescimento econômico. Para tanto, o Ministério do Meio Ambiente deve apresentar soluções dinâmicas para a questão ambiental por meio da instalação de pontos de coleta desses materiais nas cidades, bem como servindo-se de pesquisas universitárias e subsídios federais para a manutenção de políticas de logística reversa, reciclagem e monitoramento do descarte de resíduos industriais. Essas ações objetivam reduzir, gradativamente, os danos ambientais. Por fim, as empresas precisam reverter o pensamento consumista por intermédio da organização de descontos e promoções aos clientes que retornarem os materiais eletrônicos aos fabricantes, visando à sensibilização dos usuários assim como o incentivo ao descarte correto. Assim, a Revolução Industrial terá um viés mais sustentável e de harmonia com os recursos naturais.