O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 09/01/2021
A Segunda Revolução Industrial deu início a práticas de consumo nocivas, visto que a consolidação do modelo Toyota de produção trouxe consigo a efetivação do uso da obsolescência programada pelas empresas, intensificando o ato da compra. Sendo assim, os impactos do consumismo na sociedade brasileira refletem a influência exercida pela Industria Cultural além de contribuir para o acúmulo de lixo.
Em primeiro lugar, nota-se que a Industria Cultural serve de vetor propulsor às práticas de consumo exacerbado. O termo referido, desenvolvido pela Escola de Frankfurt, tem na sua origem uma visão crítica ao consumismo. O sociólogo alemão, Theodor Adorno, reflete a ligação da Industria Cultural em moldar aspectos da personalidade do indivíduo, induzindo-o a supostas “necessidades”. Assim, a ilusão de relevância perante a aquisição de objetos supérfluos é cultivada no imaginário coletivo, induzindo à persistência da problemática.
Ademais, as mudanças velozes nas tendências de consumo alavancam o descarte desenfreado, contribuindo para a concentração inadequada de dejetos. Este assunto é abordado na animação da Pixar, Wall-E, em que uma robô é encaminhada à Terra em busca de indícios de vida, haja visto que, no universo do filme o excesso de lixo produzido pela humanidade inviabilizou a vida terrestre. Logo, a dinâmica apresentada explora como os maus hábitos de consumo e descarte podem atuar como vetores de um fim trágico para a sociedade.
Portanto, é mister que o Estado tome providências em busca de atenuar o cenário atual. Para a desaceleração do avanço consumista, urge que o Ministério da Educação e Cultura (MEC) implemente à grade curricular do Ensino Médio aulas obrigatórias referente ao impacto do consumismo na vida dos estudantes, com o objetivo de assim, promover a médio prazo, uma consciência de consumo sólida no imaginário coletivo. As aulas serão ministradas por professores de sociologia, uma vez que estes possuem bagagem acadêmica necessária para abordar o assunto de forma eficiente. Isso deverá então incitar o pensamento crítico e somente assim a sociedade evitará sua culminação em um desfecho distópico como o representado em Wall-E.