O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 10/01/2021

No filme americano “Wall-e”, é exibido um triste ambiente futurístico em que o planeta terra passou a ficar inabitável devido a grande quantidade de poluição produzida. Infelizmente a situação descrita no filme não se restringe a ficção, pois, percebe-se que na contemporaneidade há um grande acúmulo de entulhos, o qual contribui para diversos problemas ambientais e sociais. Nessa conjuntura, é possível destacar o forte consumismo de produtos comerciais e a precária infraestrutura de coleta e destinação como os maiores indícios da problemática.

É relevante abordar, primeiramente, que o aumento do poder de compra tem reflexo direto na produção de resíduos. Nesse sentido, segundo o sociólogo polônes Zygmunt Bauman, a grandes empresas lucram em função da irracionalidade dos consumidores, enquanto conseguem perpetuar a insastisfação de seus membros. Nessa linha de raciocínio, observa-se que as grandes empresas impõe a substancial parcela da população a falsa ilusão de que por meio da obtenção de determinados produtos seria encontrada a satisfatoriedade permanente, ou seja, a felicidade. Consequentente, tais objetos de desejo são facilmente descartados em terrenos clandestinos, no qual colabora para a permanência de um ciclo vicioso de troca de itens antigos por mais atuais.

Ademais, vale também ressaltar que a deficiência estatal em oferecer um sistema de recolhimento adequado de resíduos, apresenta íntima relação com a existência do imbróglio. Nessa perspectiva, em 2010 foi sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS, que visava em até 4 anos organizar a forma com que o Brasil lida com o lixo gerado e fortalecer a cobrança por transparência dos setores públicos e privados no gerenciamento de seus resíduos. Entretanto, nota-se que esse plano governamental não se concretizou, visto que em grande parte das zonais rurais brasileiras o acesso ao coletamento de dejetos é inexistente, com efeito, esse descaso com a coletividade representa um retrocesso na preservação ambiental no Brasil. Logo, é fundamental a mudança desse panorama.

Verifica-se, diante do exposto, que esse problema deixou de ter uma posição de destaque no país. Dessa forma, cabe ao Ministério do Meio Ambiente - orgão responsável pela conservação da fauna e flora brasileira - elaborar uma diretriz de investimentos na criação de anúncios e propagandas que deverão instruir os cidadãos brasileiros acerca da importância da separação apropriada dos rejeitos, e divulgados em todas as redes sociais do ministérios, a fim de que em todos os territórios nacionais a conscientização ambiental da natureza seja presente no dia-a-dia dos brasileiros. Somente assim, será possível que realidades distópicas como a retratada em “Wall-e”, não passem de meras histórias ficcionais.