O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 12/01/2021

O “Mito da Caverna”, de Platão, descreve a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair de sua zona de conforto. Fora da alusão, o cenário brasileiro contemporâneo caracteriza-se com a mesma implicação no que diz respeito ao lixo e à sociedade de consumo. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar fatores como o imediatismo social e uma priorização dos interesses financeiros, além de explorar condutas conscientes por toda a população brasileira.

A princípio, considerando que a sociedade brasileira imediatista é uma premissa latente na produção contínua de lixo, deve-se destacar a necessidade de um maior engajamento socioeducativo. De acordo com Zygmunt Bauman, filósofo modernista, são tempos líquidos, onde nada é para durar. Nesse sentido, observa-se que, diante do alto consumo brasileiro e, em particular, da ausência de políticas públicas responsáveis pelo descarte e reutilização do lixo, é inegável a presença de altas taxas de resíduo acumulado de forma crescente no país.

Outrossim, outro fundamento para a configuração temática é a sobreposição das propensões monetárias. Para Mahatma Gandhi, líder indiano, “A natureza pode suprir todas as necessidades do homem, menos a ganância”. Sob essa lógica, é possível perceber que o controle do lixo no meio ambiente e, adicionalmente, a diminuição do consumismo acelerado são critérios fortemente influenciados pelo investimento e ação coletiva. E, sobretudo, combater a precedência econômica frente aos efeitos nocivos nas esferas naturais brasileiras exige dedicação, não apenas da sociedade, mas também do governo e das grandes empresas, que devem garantir esse processo.

Portanto, mais do que um tema pertinente, o lixo e a sociedade de consumo no Brasil representam grandes objeções. Para que amenizem, o Ministério do Meio Ambiente, como setor governamental responsável pela manutenção dos serviços ambientais e públicos, deve ampliar a aplicação financeira e envolvimento nos setores do lixo e propagar a utilidade da aquisição de bens de forma consciente. Para tanto, por meio da capacitação de profissionais ambientais, da qualificação da infraestrutura brasileira dos rejeitos, bem como da divulgação de coletas seletivas e de exposições socioeducativas acerca das compras pela população, a fim de garantir, de fato, a administração apropriada do lixo. A partir dessas ações, espera-se propiciar melhorias nas esferas nacionais.