O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 12/01/2021

No filme americano “Wall-e, é exibido um triste ambiente futurístico em que o planeta terra passou a ficar inabitável devido à grande quantidade de poluição produzida. Infelizmente, a situação descrita no filme não se restringe a ficção, pois, percebe-se que na contemporaneidade há um grande acúmulo de entulhos, os quais contribuem para diversos problemas ambientais e sociais. Nessa conjuntura, é possível destacar o forte consumismo de produtos comerciais e a precária infraestrutura de coleta e destinação como os maiores indícios da problemática.

É relevante abordar, primeiramente, que o aumento do poder de compra tem reflexo direto na produção de resíduos. Nesse sentido, segundo o sociólogo polônes Zygmunt Bauman, as grandes empresas lucram em função da irracionalidade dos consumidores, enquanto conseguem perpetuar a insatisfação dos seus membros. Nessa linha de raciocínio, observa-se que as principais empresas impõem a substancial parcela da população à falsa ilusão de que, por meio da obtenção de determinados produtos, seria encontrada a satisfatoriedade permanente, ou seja, a felicidade. Consequentemente, tais objetos de desejo são descartados facilmente em terrenos clandestinos, os quais colaboram para a permanência de um ciclo vicioso de troca itens antigos por mais atuais.

Ademais, vale também ressaltar que a deficiência estatal em oferecer um sistema de recolhimento adequado de resíduos apresenta íntima relação com a existência do imbróglio. Nessa perspectiva, em 2010, foi sancionada a Política Nacional de Resíduos Sólidos - PNRS, que visava em até 4 anos organizar a forma com que o Brasil lida com o lixo gerado e fortalecer a cobrança por transparência dos setores públicos e privados no gerenciamento de seus resíduos. Entretanto, nota-se que esse plano governamental não se concretizou, visto que, em grande parte das zonas rurais brasileiras, o acesso ao coletamento de dejetos é inexistente, com efeito, esse descaso com a coletividade representa um retrocesso na preservação ambiental no Brasil. Logo, é fundamental a mudança desse quadro.

Verifica-se, diante do exposto, que esse problema deixou de ter uma posição de destaque no país. Dessa forma, cabe ao Ministério do Meio Ambiente - orgão responsável pela conservação da flora e fauna brasileira - elaborar uma diretriz de investimentos na criação de anúncios e propagandas que deverão instruir os cidadãos brasileiros acerca da importância da separação apropriada dos rejeitos, e divulgados em todas as redes sociais dos ministérios, a fim de que em todos os territórios nacionais a conscientização ambiental da natureza seja presente no dia a dia dos brasileiros. Somente assim, será possível que realidades distópicas como a retratada em “Wall-e”, não passem de meras histórias ficcionais.