O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 01/03/2021
Desde a expansão da globalização, o consumo massivo e o demasiado lixo produzido e descartado pela população é característico das sociedades modernas capitalistas. Desse modo, dois aspectos favorecem esse quadro: a negligência do governo na manutenção do descarte de lixo sustentável e o consumo exagerado. Diante dessa perspectiva, faz-se imperiosa a análise desses fatores.
Em primeira análise, deve-se ressaltar a ausência de medidas governamentais na manutenção do descarte de lixo sustentável, a falta de aterros sanitários adequados para o descarte correto dos resíduos, impulsiona o aumento dos lixões, onde o despejo dos rejeitos é feito a céu aberto contribuindo para a proliferação de vetores de doenças ( como os ratos) e consequentemente a contaminação e adoecimento da população. Em vista disso, em 2014 os lixões foram proibidos por lei e deveriam ter deixado de existir a partir desse ano, no entanto, tal prerrogativa não se reverberou, pois os lixões ainda existem e estão em funcionamento em 1600 municípios brasileiros.
Outrossim, é fundamental apontar o consumismo exorbitante enraizado na sociedade, passado de pais para filhos, como impulsionador do enorme volume de lixo presente na contemporaneidade. Segundo o filósofo Zygmaunt Bauman “não se pode escapar do consumo, faz parte do seu metabolismo, o problema não é consumir, é o desejo insáciavel de continuar consumindo,” dessa forma, a cultura do consumo desenfreado crescente e a banalização do descarte repassado através das gerações, configura o cenário atual de gigantecas quantidades de lixo acumulados, que implicam diretamente na poluição atmosférica, poluição do solo e até no esgotamento de matéria prima disponível. Logo, é inadmissível, que essa conjuntura continue a perdurar.
Depreende-se, portanto, a necessidade de combater esses obstáculos. Para isso, é imprescindível que ONG’S ligadas a questões socioambientais, organizem campanhas por meios de comunicações como a televisão e a internet, em que sejam explícitados os danos do consumismo e a importância da reciclagem. Além disso, o Ministério das Cidades em parceria com os Estados e Municípios, deverão criar aterros sanitários adequados, compartilhando a divisão dos custos, especialmente nas regiões com menores arrecadações, pois essas terão mais dificuldades em manter aterros sanitários próprios, afim de alcançar um descarte de lixo sustentável e “frear” a alienação do consumismo. Assim, se consolidará uma sociedade mais ponderada, e distante da péssima realidade do “desejo insáciavel” previsto por Zygmaunt Bauman.