O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 20/04/2021
Promulgada em 2010, a lei da Política Nacional de Resíduos Sólidos decretava que, de maneira resumida e superficial, todos os lixões - espaços abertos - teriam de virar aterros sanitários - ambientes fechados e controlados -, com o intuito de tornar mais eficiente a gestão dos rejeitos no Brasil. Apesar de tal decreto, mais de uma década depois, ainda é possível de encontrar uma crise na quantidade de lixo no país, a qual está intrinsecamente relacionada com a sociedade de consumo hodierna. Nesse contexto, é fundamental uma análise acerca de como o sistema econômico vigente corrobora o quadro de mazelas descrito, bem como os principais prejuízos à coletividade - a exemplo de o rompimento com a noção de sustentabilidade e o aumento da poluição.
Em primeiro plano, é válido ressaltar como a lógica do capitalismo atual cristaliza o cenário problemático da quantia exarcebada de objetos descartados na nação. Isso ocorre porque, a grande maioria dos aparatos desse arranjo financeiro são destinados a produzir um senso de consumismo na população em geral, como a obsolescência programada, a qual induz a compra constante de determinados aparelhos, tendo em vista o prazo de validade já posto pelos produtores nos produtos. Desse modo, torna-se mais viável, do ponto de vista do consumidor, a aquisição de novas mercadorias, ao invés de reutilizá-las ou consertá-las. Consoante ao panorama descrito, tem-se o conceito de sociedade do consumo do sociólogo francês Jean Baudrillard, para quem nela as relações humanas são baseadas pela aquisição massiva de bens, serviços e entre outros.
Por conseguinte, é imperioso pontuar os malefícios primordiais dessa produção excessiva de lixo no país. De início, é fato um aumento na contaminação do ar, da terra e das águas: primeiramente, com os lixões, há uma formação de gases tóxicos decorrentes da decomposição dos materiais por certas bactérias para a atmosfera, como o metano, um dos principais do aquecimento global. Além disso, há, também, a constituição de um líquido extremamente danoso para o solo e as reservas subterrâneas aquíferas, o chorume, o qual poderia ser reutilizado para a geração de combustíveis caso fosse devidamente tratado. Ademais, com a abundância dos dejetos em conjunto com uma estrutura social caracterizada pela compra irrefletida, tem-se uma ruptura no tangente à sustentabilidade - capacidade de atender as necessidades atuais sem comprometer as gerações futuras -, tendo em vista a demanda por recursos naturais advinda do sistema econômico atual e a posterior degradação de diversos ambientes.