O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 17/04/2021

Com o advento da 2° Revolução Industrial, os meios de produção se intensificaram, fazendo com que fosse fortalecida a capacidade de exploração dos recursos naturais e a difusão do consumismo. Devido a esse acontecimento, atualmente, várias nações enfrentam seríssimos problemas quanto à gestão do lixo, sobretudo a sociedade brasileira, visto que por influências do mundo capitalista, a obsolescência perceptiva, a qual tem por objetivo trocar um produto por outro mais moderno, se tornou um hábito entre os indivíduos, o que consequentemente, estimula a maior produção de detritos, resíduos dos quais não possuem, ainda, um destino adequado em território nacional.

Evidentemente, os produtos fabricados na atualidade não possuem alta durabilidade, já que a obsolescência perceptiva é responsável por estimular que os itens adquiridos sejam descartados muito antes de seu prazo de validade, por haver fortes influências que o consumidor adquira um aparelho mais moderno. Nesse sentido, cabe ser citado o documentário norte-americano “Minimalismo: um documentário sobre coisas importantes”, o qual faz menção que esse descarte imediato de mercadorias é causado pela perda do valor social do item, ou seja, ele não precisa parar de funcionar para, de fato, ser considerado inutilizável, basta apenas que ele saia da tendência de venda do mercado. Diante disso, nota-se que essa  estratégia de vendas faz com que  indivíduos  fique o menor tempo possível com seu objeto adquirido, para que em um mínimo tempo ele já possa realizar a troca por outro mais moderno.

Em contrapartida, o reflexo desse consumo exagerado é responsável por potencializar a produção de lixo, que, claramente, ainda não possui um destino seguro e correto no Brasil. Sob essa visão é essencial mencionar o documentário brasileiro “Lixo Extraordinário”, realizado na periferia do Jardim Gramacho, Rio de Janeiro, o qual evidencia que o aterro sanitário do local é totalmente irregular na questão da coordenação e destino dos resíduos além da inexistência de políticas públicas que incentivem a sua reciclagem. Nesse sentido, nota-se que o gerenciamento do lixo é um grande entrave na sociedade, já que a produção é realizada em alta escala e não há um direcionamento adequado.

Portanto, devido ao destino irregular e inseguro dos resíduos em território brasileiro, é necessário que o Ministério do Meio Ambiente e as Prefeituras Municipais criem programas de reciclagem e coleta seletiva comunitária, por meio de incentivos de benefícios fiscais, os quais reduzirão a cobrança das taxas de impostos, baseando-se no grau de contribuição de cada cidadão, a fim de que cada um possa se empenhar o máximo possível para atenuar esse óbice. Desse modo, o descarte do lixo será viável e adequado, uma vez que a reciclagem irá diminuir significativamente o volume de detritos e a coleta seletiva será responsável pela sua destinação correta, o que tornará os aterros sanitários regularizados.