O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 24/04/2021

No programa “Acumuladores” do canal “Discovery Home and Health” é retratado a vida de pessoas extremamente consumistas e ajuntadoras, ou seja, que compram em demasia, mas não descartam nada. Ao longo do documentário, a narrativa revela as consequências que esse consumo excessivo pode ter, bem como os problemas ambientais que causa, já que essas pessoas vivem em terrenos poluídos com lixo. Fora do documentário, fica claro que a realidade apresentada pode ser relacionada com a do século XXI: o consumo desnecessário e as consequências que ele pode trazer na vida dos indivíduos e do planeta Terra.

Em primeiro lugar, é importante destacar que a sociedade atual de consumo é uma causa latente do problema. Segundo Bourdieu, o que foi criado para ser um instrumento de democracia não deve ser convertido em mecanismo de opressão. Nesse sentido, a mídia, um dos maiores meios de comunicação atuais, traz uma ideia contrária à do filósofo quando manipula suas propagandas a fim de aumentar o consumo social. Ela, por si só, consegue fazer com que os indivíduos comprem o que é mais caro, a fim de alcançar algum tipo de realização pessoal ou status social. Em si, essa questão é abordada no texto divulgado pelo site “Feminaria”, escrito por Roseli Bregantin Barbosa, que diz que a mídia fala ao consumidor o que ele almeja ouvir, cobrando um alto valor por isso. Assim, percebe-se que esse meio de comunicação é um grande manipulador quando o assunto é consumo.

Consequentemente, o aumento do consumo leva ao aumento do lixo e dos problemas sociais e ambientais, que se tornam mais causas para a configuração do problema. No famoso documentário “Ilha das Flores”, por exemplo, vê-se um grande número de pessoas morando em um lugar cheio de lixo e se alimentando dele. Paralelamente, é mostrado todo o processo de montagem de um produto até o seu destino final - os aterros - e o impacto que seu descarte traz, tanto na vida das pessoas, quanto na propriedade onde é jogado. Logo, entende-se que o aumento da concentração do lixo e da conseguinte desigualdade social é uma consequência da sociedade de consumo no Brasil, o que torna a resolução do problema mais dificultada.

Portanto, é mister que o Estado tome providências para amenizar o quadro atual. Para a diminuição do consumo desnecessário, bem como o aprendizado da maneira correta do descarte do lixo, urge que a prefeitura das cidades, por meio de projetos de conscientização, realize palestras que visem a discussão dos problemas sociais e ambientais trazidos pelo aumento do consumo, para que dessa forma, mais pessoas compreendam a importância do combate a esse processo. Somente assim, será possível enfrentar os efeitos dos gastos desnecessários e impedir que apareçam mais “Acumuladores”.