O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 26/04/2021
O Movimento de Libertação das Mulheres, ocorrido nos anos 60, nos Estados Unidos, foi representado pelo slogan “O pessoal é político”, que fazia refeência ao fato de que a vida privada das mulheres atinge a esfera pública, ou seja, a individualidade faz parte de um todo e não é isolada dos demais eventos. Da mesma forma, no Brasil, é possível observar que a produção desenfreada de lixo e o surgimento da sociedade de consumo são fenômenos que estão ligados ao desenvolvimento de uma consciência coletiva, ou seja, são ligados a todos, visto que são ocasionados pela influência midiática e pela ascensão do individualismo, o que, se não freados, podem ocasionar consequências negativas. Assim, deve-se discutir os aspectos políticos e sociais vinculados ao tema, em prol do bem coletivo.
Dito isso, em primeiro lugar, deve-se afirmar que a mídia exerce um forte poder sobre a sociedade de consumo brasileira. Nesse contexto, o filósofo pré-socrático Heráclito atribuiu a ideia de que todas as coisas estão em constante movimento. Desse modo, pode-se relacionar a premissa filosófica ao fato de que as tecnologias estão sendo inovadas constantemente, o que motiva as pessoas a adquirirem novos produtos para se atualizarem. A mídia exerce um papel fundamental no convencimento de que as pessoas precisam de novos lançamentos, principalmente ao repassar a ideia de que o consumo está diretamente ligado a poder. Logo, cria-se uma cultura consumista, na qual compra-se sem haver necessidade, o que contribui para o acúmulo desnecessário de resíduos.
Em segundo lugar, é válido reforçar que o individualismo, característica do sistema capitalista, contribui para a crescente produção de lixo. Nesse sentido, deve-se citar a corrente de pensamento Ecossocialista, a qual fala sobre a importância de considerar que os recursos naturais não são infinitos. Diante disso, o ecossocialismo vai de encontro ao modo de produção capitalista, que recusa respeitar os limites da natureza e caracteriza-se por ser individualista, sem pensar nas consequências sociais negativas que esse sistema pode produzir. Dessa forma, a produção e o consumo desenfreados refletem na natureza de diversas formas, como na contaminação do solo- com o grande número de lixo- e na ocorrência das chuvas ácidas, devido a emissão de poluentes.
Portanto, os impactos causados pelo acúmulo de lixo derivado da sociedade de consumo brasileira devem ser freados. Para isso, o Ministério da Educação deve abordar nas escolas a importância de aderir a pauta ambiental nas atitudes do dia a dia, por meio de materiais didáticos ou oficinas interativas que demonstrem as consequências negativas ao meio ambiente que o consumo exacerbado pode causar e as ações que podem ser feitas para o cuidado com a natureza, como a coleta seletiva, ou seja, a separação dos materiais recicláveis. Assim, o corpo social se tornará próximo do bem coletivo.