O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 27/04/2021

Na obra cinematográfica “Wall-E” da Pixar, é retratado um futuro onde a Terra se tornou um planeta inabitável devido aos impactos ambientais causados pelo lixo acumulado por uma sociedade extremamente consumista. A animação ficou famosa mundialmente, mas não mudou em nada o comportamento humano frente à produção exagerada e o descarte imprudente do lixo, visto que o volume de despojos na cidade de São Paulo chega a 14 milhões de quilogramas diariamente, como aponta o Instituto Gea. Dessa forma, em razão do uso massivo de materiais descartáveis e da falta de iniciativa para o descarte correto do lixo, emerge um problema complexo que deve ser resolvido.

Em primeira análise, discute-se a utilização em massa de materiais descartáveis, que são usados e, logo depois são jogados fora. Além de demandar uma alta produção, que conta com uma grande quantidade de plástico, ficam largados na rua, ou são empilhados em lixos. Um exemplo disso são os lanches vendidos por redes de fast food como o Mcdonalds, o qual tem seus alimentos embalados em inúmeras embalagens, muitas vezes, desnecessárias. Enquanto isso, em franquias norte-americanas como o restaurante A&W, os lanches são servidos em potes de metal e copos de vidro, que podem ser lavados e reutilizados.

Em segunda análise, discute-se como a falta de iniciativa da população é uma causa latente do problema do acúmulo de lixo, que encontra solo fértil no descarte insensato dos materiais não mais aptos para uso. O mito da caverna, de Platão, mostra a situação de pessoas que se recusavam a observar a verdade em virtude do medo de sair da sua zona de conforto. Isso é exatamente o que se observa na sociedade atual, pois é preciso que as pessoas se conscientizem a respeito dos perigos que os método de armazenamento de despojos mais comum, os lixões à céu aberto, apresentam para o ser humano, resultantes da penetração do chorume no solo, que polui os lençóis freáticos, e o chamarisco de animais, tais como ratos, que transmitem doenças.

Portanto, uma intervenção faz-se necessária. Para isso, é necessário que o Supremo Tribunal Federal promova a criação de uma lei aplicada em estabelecimentos comerciais que atuem no setor alimentício, que vise a diminuição do uso de embalagens descartáveis em grande escala, com o objetivo de normalizar a utilização de utensílios reutilizáveis. Paralelamente, o Governo Federal deve investir em campanhas de instrução de separação de lixo, que sejam exibidas na televisão, por meio de vídeos que ensinem a realizar a correta segregação. Juntamente com isso, a criação de institutos de reciclagem que façam a devida coleta se faz necessária, de modo a tornar o descarte de lixo o mais consciente possível.