O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 27/04/2021

Desde o advento da Revolução Técnico-Científica, no século XX, o lixo e a estruturação de uma sociedade fortemente consumista, quando combinados, se tornaram problemas globais. No Brasil, como comprovação disso, os problemas relacionados ao lixo estão se acentuando, sejam pelos poucos recursos empregados pelo Estado na manutenção sustentável dos resíduos seja pelo consumo exacerbado da população, o que corrobora para o desequilíbrio ambiental. Diante dessa perspectiva, cabe avaliar os fatores que ainda sustentam tal problemática visando mitigá-los.

Primeiramente, faz-se mister salientar a negligência estatal com a questão do lixo, como um dos principais desafios a serem enfrentados. Em defesa disso, uma pesquisa realizada pela Universidade de São Paulo (USP) revelou que existem poucos aterros sanitários que conseguem executar a separação do gás metano dos aglomerados de lixo, no qual é o principal gás liberado na decomposição de matéria orgânica, o que contribui com o aumento atípico do efeito estufa, fato prejudicial ao meio ambiente. Ademais, a mesma faculdade mostra que ainda são mínimos os recursos destinados à manutenção sustentável do lixo, fazendo com que, no país, os prejuízos desse descuido resultem em uma desarmonia ambiental.

Outrossim, os hábitos de consumo exagerados, que marcam a sociedade brasileira, edificam outro cenário desafiador. Isso se dá pelo fato de que as pessoas adquirem produtos em quantidades, muitas vezes, além da real necessidade e logo descartam alguns objetos que não terão nenhuma serventia, sendo os plásticos os mais comuns, e, concomitantemente os que mais causam danos aos ecossistemas. Diante disso, é incontestável que tais práticas de consumo estejam intrinsecamente ligadas ao meio no qual se insere um indivíduo, haja vista que este tende a ser influenciado pelo costume de uma família consumista agregando esse hábito na sua vida, o que já foi abordado por John Locke em sua “Teoria da Tabula Rasa”.

Portanto, indubitavelmente, medidas são necessárias para resolver os problemas relacionados ao lixo no Brasil. Assim sendo, é preciso que o Estado elabore políticas públicas voltadas para a manutenção dos resíduos, por meio de uma parceria com nações internacionais, a fim de se desenvolver recursos avançados para redução dos impactos ambientais ocasionados pelo lixo. Em adição, incumbe ao Ministério do Meio Ambiente auxiliar na redução da emissão de gás metano, disponibilizando investimentos financeiros para a separação desse gás, com o fito de minorar a questão do aquecimento global e as suas demais consequências. Dessarte, assim, poder-se-á construir um Brasil mais sustentável e desenvolvido.