O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/06/2021
Na película de animação “Wall-e”, é retratado um planeta Terra inundado pelo lixo e inabitável para os seres humanos, os quais são enviados para o espaço devido não terem onde morar. Para além da ficção, a forma imprudente e desmedida com que a sociedade, em sua maioria, trata o descarte de resíduos contribui para um cenário socioambiental em estado de alerta. Nesse contexto, a negligência estatal junto ao baixo enganjamento social são fatores preponderantes na produção de lixo no Brasil.
Em primeira análise, cabe pontuar a necessidade de ação estatal diante da falta de infraestrutura no tratamento dado aos resíduos sólidos, visto que a Política Nacional nesse âmbito, majoritariamente, não tem se concretizado. Nessa perspectiva, conforme dados da ONG “WWF”, o Brasil é o 4º país que mais produz lixo, logo é perceptível a importância do tratamento adequado para os resíduos gerados. Dessa forma, quando o Estado não investe na coleta seletiva, na reciclagem e nos aterros sanitários está fortalecendo a disseminação de lixões a céu aberto e a poluição ambiental no país, o que compromete a qualidade de vida e inviabiliza o desenvolvimento sustentável.
Outro ponto relevante é a necessidade de educação ambiental, o que implica em parte da população não agir com respeito ao meio ambiente e o crescente consumismo na sociedade. Desse modo, é importante considerar a utilização dos meios naturais de forma responsável, além de equilibrar com o descarte correto dos resíduos, reutilização e reciclagem, no entanto, a cultura capitalista age de forma a impulsionar a demanda por consumo excessivo. Nessa apreensão, é válido mencionar os conceitos de “supercidadão” e “subcidadão” presentes no livro “A Casa e A Rua” do antropólogo Roberto DaMatta, o qual retrata o comportamento de pessoas que em suas casas não aceitam o lixo, porém fazem das ruas como se fossem lixeiras públicas. Assim, é possível compreender a magnitude da educação ambiental como elemento para enganjar o meio social na redução de detritos e exigir a concretização da Política Nacional de Resíduos Sólidos no Brasil.
Em síntese, fazem-se inadiáveis legítimas resoluções para reverter esse cenário de prejuízos. Posto isso, cabe ao Ministério do Meio Ambiente junto às Secretarias Municipais, a promoção de um Projeto Intersetorial, que vise aumentar o número de aterros sanitários e a educação ambiental. Tal projeto será instrumentalizado mediante a desativação dos lixões, construção de mais aterros sanitários nos estados e municípios, além do fortalecimento da coleta seletiva e a promoção da reciclagem. Por fim, nas escolas devem ser realizadas campanhas educativas e sensibilizadores sobre a importância do consumo consciente, como separar os resíduos e orientar crianças e adolescentes a adotarem práticas ecológicas no dia a dia.