O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 06/05/2021

De acordo o filósofo francês Émile Durkheim, criador da concepção funcionalista, as consciências individuais são formadas pela sociedade, o que torna o homem produto do meio em que vive. Nesse sentido, na sociedade brasileira hodierna, há um consumismo, influenciado pela obsolescência programada, que está gerando um grande fluxo de compras e descartes de resíduos. Por conseguinte, muitas vezes, esses dejetos e resíduos formam um elevado índice de lixo em ambientes periféricos no país em questão, o que diminui drasticamente a qualidade de vida da população nestes locais.

Em primeira análise, vale salientar que a causa do comportamento consumista no Brasil contemporâneo, é definida pela obsolescência programada. Nesse cenário, é importante citar que tal causa se iniciou na grande crise econômica de 1929, onde houve o objetivo dos comerciantes em aumentar a frequência de compras do mercado consumidor no período. Em consonância a isso, seguindo a perspectiva durkheimiana supracitada, o constante descarte de um material em detrimento de um novo produto é fruto da obsolescência programada e causa o consumo exagerado no Brasil.

Consequentemente, a alta taxa de descarte de resíduos sólidos na sociedade brasileira, em grande parte, é destinada em ambientes marginalizados do espaço urbano, como periferias ou lugares mais pobres. Dentro desse contexto, o documentário “Ilha das Flores” retrata o dia a dia da população de uma ilha em Porto Alegre, com grandes dificuldades e saúde afetada por conta do lixo no local. Nesse âmbito, segundo dados do Panorama de Resíduos Sólidos, o Brasil descarta cerca de 79 milhões de toneladas de lixo por ano. Logo, nota-se que o país em questão não possui hábitos de reciclagem ou reaproveitamento de materiais, e que parte da nação sofre com as consequências socioambientais geradas por esse enredo.

Portanto, medidas são essenciais para amenizar tal problemática citada. Com isso, cabe ao Congresso Nacional incentivar a sociedade brasileira a diminuir a quantidade de produtos descartados, por meio de uma lei que penalize com multas as pessoas que ultrapassem uma quantidade máxima de lixo produzido por cada residência ou espaço. Desse modo, haverá uma redução no índice de descarte de resíduos anual no país. Além disso, torna-se imperioso que o Ministério da Educação siga o pensamento do pedagogo brasileiro Paulo Freire, no qual acredita que a educação muda as pessoas e estas mudam o ambiente em que vivem, no sentido da consciêntização sobre a importância da reciclagem e reutilização de objetos, com aulas interdisciplinares de ciências naturais e humanas. A partir disso, a população será mais informada sobre como minimizar os descartes sólidos, e lugares como a Ilha das Flores no Sul do Brasil deixarão de ter uma triste realidade.