O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 21/05/2021
No filme “Wall-E”, é retratado um futuro distópico em que a Terra vira um lugar inóspito por causa da grande massa de lixo gerada pela humanidade. Nesse sentido, a narrativa revela como o consumo exacerbado pode comprometer a perpetuidade da espécie humana. Fora da ficção, fica claro que a realidade apresentada no filme pode ser relacionada com a do Brasil no séc. XXI, na qual a formação e concentração de resíduos é devido ao consumismo maquiado pela ideia de felicidade comerciável e pela falta de efetividade da legislação sobre o descarte seguro desses produtos.
Em primeiro lugar, faz- se necessário destacar que, no sistema neoliberal regente, a população enxerga a aquisição de vários materiais como uma forma de satisfação própria, visto que as indústrias e a mídia, com a intensão de lucrar ainda mais, estão constantemente fomentando a ideia de realização pessoal comprável na sociedade. De acordo com Karl Marx, filósofo e sociólogo alemão do séc. XIX, existe uma relação de adoração dos materiais por parte dos consumidores, na qual a compra e acumulação de tais mercadorias promovem a elevação do patamar social, dessa forma, a população é instigada a comprar excessivamente. Porém, essa ascensão limita-se ao plano das ideias, uma vez que no plano real, o consumismo estimula, unicamente, a condensação de mais lixo no planeta.
Além disso, é relevante destacar que, no Brasil, a Política Nacional de Resíduos Sólidos, que regulamenta a forma de como se deve tratar o lixo, ainda não é exercida verdadeiramente, pois ainda a há lugares com descarte irregular de rejeitos. Segundo um relatório da Associação Brasileira de Empresas de Limpeza Pública e Resíduos Especiais, o território brasileiro possui quase 3 mil lixões funcionando em 1.600 cidades, mesmo que por lei todos os lixões do estado deveriam ter sido fechados até 2014. Paralelamente, esses lugares sem fiscalização podem gerar riscos à saúde através da contaminação dos solos e dos itens coletados pelos catadores. Logo, a massa de lixo descartado de maneira errônea torna-se um empecilho para a sociedade.
Portanto, é preciso que o Estado no papel do Ministério da Educação estimule as escolas à abordarem nas aulas, por meio de palestras e debates, a falsa ideia de prazer do consumo e as consequências que ela pode trazer para sociedade, com a finalidade de formarem alunos com uma visão crítica sobre a geração de lixo que o sistema promove. Ademais, é crucial que o Governo fortaleça a Política Nacional de Resíduos Sólidos, através da implementação de um órgão fiscalizador exclusivo, afim de averiguar os locais de desfecho dos produtos para que a segurança e saúde do corpo social não sejam comprometidos. Somente assim, será possível que o futuro do país não se torne igual ao da Terra no filme “Wall-e”.