O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/05/2021

A economia capitalista pressupõe alimentar-se cada vez mais recursos, numa crescente sincrônico e acompanhada pelo consumo. Com a ascenção da máquina a vapor e as facilidades que o mesmo trouxe na linha de produção, em união com os modelos de produção existentes na época, a expansão de mercado se fez sem precedentes, tal como a extração de recursos naturais. Visto isso, fica claro a necessidade do Estado e das grandes mídias de intervir nisso, antes que seja tarde demais.

Se for permitido o avanço da ambição pelo crescimento econômico via gozo de recursos naturais, as próximas gerações da humanidade poderão testemunhar o colapso do planeta como um todo, da insalubridade das florestas da Nova Guiné à degradação dos corais do oceano Pacífico. Urge cada mais claramente a necessidade de uma revolução do “modus operandi” das relações interpessoais e econômicas. A sustentabilidade, segundo o astrofísico e escritor Robert Gilman é “igualdade ao longo do tempo”. Essa atitude sustentável, portanto, deve englobar todo o Planeta, com o objetivo de equilibrar o consumo, o despojamento de resíduos e o crescimento econômico com os limites ecológicos.

O consumismo, no entanto, não se limita às características econômicas. A grande maioria dos cidadãos se vê completamente imersa em uma sociedade baseada no consumismo, cercada por propagandas, jargões e “jingles” que penetram as barreiras neurológicas do ser humano. O ato de comprar, portanto, é social, na medida que o não consumo é um segregador em potencial num meio que consome culturalmente, e biológico, visto que comprar e fazer parte desse grupo consumidor, além de satisfazer as características sociáveis da Homem, ativa áreas do cérebro relativas ao prazer e à felicidade. Consumir, portanto, torna-se um vício, idêntico ao vício ao entorpecentes, já que o organismo buscará sempre estímulos agradáveis.

De modo a controlar o impacto ambiental, o Estado deverá instituir conjuntos legislativos para obrigar empresas a promover o descarte correto de seus produtos, além de reduzir ou extinguir a emissão de poluentes. Na sociedade civil se faz necessária a subversão do status, através de propagandas estatais midiáticas, para, ao invés de um uso consequente e centrado no ser, haver a valorização de cada produto como único, e o Planeta como única casa.