O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 20/05/2021
Na animação cinematográfica “Wall-E” o planeta terra é retratado de maneira distópica, sendo completamente tomado pelo lixo e poluição causada pelo ser humano, tornando-se completamente inabitável. Analogamente à narrativa do filme, segue a sociedade brasileira, caracterizando-se como consumista, irracional e negligente. Que compra cada vez mais, deixando para trás resíduos tóxicos que resultam em uma conjuntura social, econômica e ambiental.
A sociedade do consumo pode ser exemplificada através do conceito de obsolescência programada. Que se dá pela decisão do fabricante de criar um produto que rapidamente se torne ultrapassado e inutilizável após o seu consumo. Tal medida induz o consumidor a adquirir um novo item. Essa política surgiu nos anos 70, como forma de aumentar os lucros, porém, hoje se tornou um reflexo da nossa sociedade, que utiliza-se das constantes inovações e do mercado globalizado para o consumo insaciável, e consequentemente para a produção de lixo.
Por outro lado, o cenário atual não é causado apenas pela sociedade civil. Há também uma clara negligência estatal e municipal referente ao descarte de tais resíduos. Hoje, um vasto contingente do lixo produzido no Brasil é descartado nos lixões, unidades à céu aberto, que diferentes dos aterros sanitários, não possuem nenhum tipo de proteção ou precaução para impedir o contato de resíduos com o lençol freático e o solo, colaborando não só para a contaminação desses, mas também para a proliferação de agentes patogênicos que afetam principalmente aqueles que exploram a venda do material descartado para reciclagem.
Tendo isso em vista, torna-se clara a necessidade de movimentação civil e estatal. A qual o governo deve impor medidas para a construção de aterros sanitários. Também devem ser feitas campanhas de conscientização que incentivem o consumo consciente, a reciclagem e a coleta seletiva do lixo, visando um futuro diferente daquele passado pelo filme “Wall-E”.