O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 20/05/2021
Tudo se transforma: a vida posta em risco
A economia capitalista pressupõe alimentar-se de cada vez mais recursos, numa crescente concomitante e obrigatoriamente acompanhada pelo consumo. Com o advento da máquina a vapor e as facilidades que esta trouxe ao processo produtivo, em conjunto com os modelos de produção da época, a capacidade de expansão do mercado se fez de maneira sem precedentes, bem como a extração de recursos do ventre do planeta. A mentalidade de que a natureza se encontra sob o jugo do bel-prazer humano e a mando do crescimento econômico resulta, como nosso testemunho hoje constata, em ruína ambiental. Estresse de ecossistemas, morte da fauna e da flora aquecimento global, derretimento de calotas polares e outras nefastas consequências.
Se permitirmos o avanço frenético da ambição pelo crescimento econômico via usufruto de recursos naturais, as próximas gerações de nossa espécie podem testemunhar o colapso do planeta como um todo; da insalubridade das florestas da Nova Guiné à degradação dos corais do Oceano Pacífico. Urge cada vez mais claramente a necessidade de uma revolução do modus operandi das relações interpessoais e econômicas. A sustentabilidade, na definição do astrofísico e escritor Robert Gilman é “igualdade ao longo do tempo”. Essa conduta sustentável, portanto, deve englobar a todos e em todos os lugares, com o propósito de equilibrar o consumo, o descarte de resíduos e o crescimento econômico com os nossos limites ecológicos.
O consumismo, no entanto, não se limita à características econômicas. A grande maioria dos cidadãos se vê completamente imersa em uma sociedade movida pelo consumo, rodeada de propagandas, jargões e jingles que penetram nossas barreiras neurológicas. O ato de comprar, portanto, é social, na medida em que o “não consumo” é um segregador em potencial num meio que consome culturalmente, e biológico, tendo em vista que comprar e fazer parte do grupo consumidor, além de satisfazer as características gregárias de nossa espécie, ativa áreas do cérebro relativas ao prazer, à felicidade. Consumir, por conseguinte, se torna um vício, semelhante ao vício em entorpecentes, ao passo que o organismo buscará sempre estímulos prazerosos.
De modo à controlar o impacto ambiental, o Estado precisa instituir conjuntos legislativos para obrigar empresas fabricantes à promover o descarte adqueado de seus produtos, além de diminuir ou extinguir a emissão de poluentes. Na sociedade civil, com auxílio de propagandas estatais midiáticas, se faz necessária a subversão do status quo do consumo, para, ao invés de um uso inconsequente e centrado no ser, haver a valorização de cada produto como único, e nosso Planeta como única casa.