O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 25/05/2021
Observando o passado da sociedade, nota-se que estamos vivendo um momento de alienação, no qual, a atual globalização perversa, estudada pelo sociólogo Milton Santos, exige uma política de consumo exagerado, responsável por alimentar o poder do mercado e destruir o meio ambiente. Ao priorizar o lucro, o consumo se torna uma ação banal geradora de uma desenfreada produção de lixo, que, mascarada pelo sistema e pela mídia, causa um enorme desafio a ser superado, para que suas consequências não sejam irreversíveis.
O problema só se torna um problema quando incomoda os elitizados. A eficácia no papel das coletas de lixo no Brasil, que limpam rapidamente as portas das casas, principalmente nos bairros privilegiados, cria a ilusão de que o lixo desaparece facilmente, desprezando a gravidade do seu uso inconsciente. Por não estar explicito no dia a dia de muitos, os problemas da produção excessiva e o descarte inadequado do lixo não são denunciados. Ao mascarar suas consequências destrutivas, principalmente para o meio ambiente, o sistema capitalista é responsável por causar um dos mais graves problemas do País, que atinge quantidades impressionantes, como os 14 milhões de quilos coletados diariamente na cidade de São Paulo.
Ademais, a banalização do consumo que nutri o poder do mercado influencia na confusão de necessidades do ser humano, na qual o “status” é priorizado através do bem-estar momentâneo vendido pelas propagandas. A falsa ideia de que precisamos ter tudo, transforma produtos fúteis em essenciais que são rapidamente substituídos, criando assim, um ciclo vicioso de consumo. Para alimentar o ego pessoal e se encaixar no padrão estabelecido, os pensamentos das pessoas são desviados do problema, e sem tempo para pensar se tornam alienadas, permitindo cada vez mais que o lixo tome conta de maneira inconsequente.
Conclui-se que o atual sistema capitalista neoliberal tem consequências perversas para a maior parte da população mundial devido à adesão desenfreada aos comportamentos competitivos e priorização do lucro. Para frear essas ações urgem que ONGs, comunidade científica e população ajam em conjunto, pressionando as autoridades governamentais e exijam mudanças em sua conduta. Dessa forma, atribuirá fundamental importância ao o que realmente importa, transformando o consumo desenfreado em consciente e influenciando a importância do cuidado com o lixo.