O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 25/05/2021

Após a Revolução Industrial, ocorrida a partir da segunda metade do século XVIII e o processo de globalização, uma nova forma de viver foi instalada no contexto global, onde o sistema capitalista começou a ganhar espaço nas diferentes economias das nações e o consumo exacerbado foi impulsionado por esses fatores. Como consequência da produção em massa e do culto ao novo e tecnológico, produtos são descartados com muita frequência e, na maior parte das vezes, de forma incorreta, o que gera uma enorme quantidade de lixo no planeta e contribui para o desequilíbrio ambiental e a destruição de diversos ecossistemas.

Em uma sociedade que sempre disponibiliza um novo produto como a melhor alternativa comparada a substituição ou reparação de um produto existente, a ideia de reaproveitamento ou de consciência de consumo se perde, pois todo o estilo de vida moderno gira entorno do mercado. Sendo assim, a esmagadora maioria das grandes empresas se aproveitam do fenômeno industrial denominado “obsolescencia programada” para forçar a compra de novos produtos e aumentar seu lucro. Essa prática consiste em fabricar produtos com a durabilidade de vida útil deles pré estabelecida, obrigando o consumidor a comprar outro ou consertá-lo.

É necessário salientar que a ineficácia estatal, no que se refere ao destino e à manipulação adequada do lixo, bem como ao controle das propagandas midiáticas de cunho consumista, contribui com a manutenção do problema, visto que os cidadãos estão consumindo, de maneira desenfreada e, por consequência, a questão do lixo é acentuada. Ao ter isso em vista, nota-se a quebra do Art. 225 previsto na Magna Carta, que enfatiza que todos têm o direito de desfrutar de um meio ambiente ecologicamente equilibrado, cabendo ao governo e às comunidades a responsabilidade de manter e proteger o meio ambiente no futuro. Há gerações, portanto, a urgência de resolver o problema é bem conhecida porque os órgãos governamentais não têm desempenhado suas funções de maneira adequada.

Em conclusão, devemos buscar por um novo sistema socioeconômico que tenha como valores tanto o cooperativismo quanto a sustentabilidade. Viver em aprendizado cooperando com os que estão ao nosso redor e estabelecendo convivência com a natureza, reconhecendo que não podemos continuar vivendo à parte dos demais seres do planeta. Entender que a natureza não está aqui para nos servir também é crucial, até porque nós, humanos, também fazemos parte da natureza e, sendo assim, quando nos desconectamos dela e lhe fazemos mal, estamos fazendo mal a nós mesmos.