O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 10/06/2021
Segundo o filósofo contemporâneo Jean Baudrillard, vive-se na contemporaneidade a chamada sociedade de consumo, caracterizada pelo fato de que todas as relações e ações humanas são mediadas pela aquisição de bens, produtos ou serviços. Esse consumo desenfreado, “catapultado” desde o “American Way Of Life” até os dias atuais, é um dos principais fatores do excesso de lixo gerado no Brasil, que aliado à ausência de uma infraestrutura adequada para a destinação desses resíduos, constituem o alicerce da crise do lixo que se vive na sociedade brasileira atual.
Esse consumismo irrefletido tem raízes na popularização do cinema hollywoodiano da década de 50 que difundiu o “American Way Of Life” em todo o mundo, um estilo de vida que associa a fabricação em massa de produtos e a felicidade ao verbo consumir. No entanto, no cenário brasileiro atual, a destinação dos rejeitos oriundos desse excesso de produção sofre com a falta de aterros sanitários, o que faz com que a maioria dessas substâncias seja levada para lixões - locais a céu aberto onde todo tipo de dejeto é disposto sem nenhum controle. Entre as consequências desse contexto, destaca-se a produção de chorume pela matéria orgânica presente nesses rejeitos, que pode contaminar não apenas o solo, mas também os cursos d’água a partir da infiltração do lençol freático. Este, por sua vez, é fonte de abastecimento de água da população em muitos municípios brasileiros. Adicionalmente, observa-se a emissão de gases ligados ao efeito estufa, a exemplo do gás metano, contribuindo para o agravamento da crise climática global. No campo social, nota-se a presença de uma população que extrai da catação de materiais recicláveis seu sustento e que se mostra mais vulnerável à lesões com cortes, perfurações e doenças infecciosas carregadas por vetores atraídos pelo lixo a céu aberto, em decorrência do contato direto com os dejetos.
Por tanto, a fim de garantir a destinação adequada dos resíduos sólidos, cabe aos municípios em conjunto, para dividir os custos envolvidos nessa iniciativa, mediante o redirecionamento de verbas, realizar a construção de aterros sanitários compartilhados com o intuito de acabar com os lixões e, consequentemente, seus impactos ambientais e sanitários. Em adição, as instituições de ensino em parceria com ONGs ligadas à questão socioambiental, com o propósito de encorajar a reciclagem e reutilização e a aquisição de bens ou serviços de maneira mais responsável, organizem campanhas que expliquem os danos do consumismo e estratégias para o reaproveitamento desses materiais, a serem vinculadas nos mais relevantes veículos midiáticos, como a televisão e as redes sociais, em horário nobre -devido ao seu grande alcance em nível nacional.