O lixo e a sociedade de consumo no Brasil

Enviada em 16/06/2021

Na mitologia grega, Hércules, filho de Zeus, no cumprimento de seus 12 trabalhos teve de enfrentar a Hidra, um mostro, originalmente de 7 cabeças, cujo ao se cortar uma cabeça nasciam duas no lugar. O herói no entanto conseguiu vencê-la quando se deu pôr conta que teria de queimar os ferimentos evitando que assim ela se multiplicasse. O problema que enfrentamos com o Consumismo é semelhante ao de Hércules pois cada vez que compramos acabamos por multiplicar os desejos sem antes eliminá-los por completo, ou evitar que se multipliquem este problema se dá devido a obsolescência programada e da ausência da reciclagem nos aterros sanitários.

Em primeiro lugar cabe a análise a cerca do modelo de produção vigente: o Toyotismo, que tem como um de seus princípios a obsolescência programada que introduz a baixa durabilidade do produto para que não ocorra uma segunda crise mundial de superprodução como foi a de 1929. Toda via quem enfrenta a crise no lugar da economia é o meio ambiente que precisa receber o expressivo montante de dejetos oriundos do consumo excessivo que dificilmente são processados e, ao se levar em consideração a 3° Lei de Newton: que diz que para toda ação há uma reação de sentido contrário e mesma intensidade, é indubitável que o preço cobrado pela degradação do ambiente natural será maior que o da crise econômica para a vida no planeta.

Somada à obsolescência programada a insuficiência dos aterros sanitários corrobora para a degradação do ambiente e da vida na Terra com a proliferação de doenças, poluição dos lençóis freáticos e do solo. É fundamental que haja uma inversão no modo de tratamento no lixo para um modelo que vise a sustentabilidade como no Japão que, segundo o G1 notícias, é um exemplo de cuidado com o ambiente pois recicla seus dejetos não possuindo aterros ou qualquer local aberto com deposição de lixo e ainda produz energia elétrica oriunda do processo de reciclagem. Ao se adotar uma medida semelhante será possível conviver em harmonia com o ambiente e sem prejudicá-lo.

Fica evidente, portanto, que a obsolescência programada e a insuficiência dos aterros sanitários são os principais vetores do aumento do número de lixo que degrada o meio ambiente. Sendo assim se faz necessária a intervenção do Estado que deve juntamente com Poder Judiciário criar uma Lei que obrigue as empresas a produzir bens com uma vida útil maior para que se evite o aumento do montante de lixo e diminua a necessidade de consumo. Além disso o Estado deve aderir uma nova forma de tratamento do lixo que assim como o Japão vise a reciclagem e não o depósito em aterros. Somente com as medidas supracitadas poderemos evitar a proliferação da atual “Hidra” e finalmente nos livrarmos do que afeta e polui o meio ambiente.