O lixo e a sociedade de consumo no Brasil
Enviada em 18/08/2021
A Terceira Lei de Newton relata que “Para cada ação há uma reação de mesma intensidade e sentido oposto”. De forma análoga a essa tese, o aumento do consumo e, consequentemente, do lixo tem causado impactos sérios e com a mesma potência da exploração dos recursos. Neste sentido, analisar problemáticas, como a obsolescência programada e a falta de uma educação ambiental concreta é necessário para que se busque soluções.
Em primeiro plano, vale destacar o processo de obsolescência programada como influente no aumento do lixo. A partir da Terceira Revolução Industrial, eletrodomésticos e eletrônicos passaram a ser fabricados com o seu tempo de funcionamento definido, o que resultou o aumento expressivo no descarte desses utensílios e na compra de outros mais novos. Dessa forma, a sociedade é induzida a sempre adquirir um item e rejeitar o anterior, mesmo que ele ainda apresente condições de uso. Segundo o Instituto Brasileiro de Defesa do Consumidor, cerca de 81% dos brasileiros trocam de celular sem antes recorrer à assistência técnica, o que confirma o consumo vinculado à produção do lixo.
Outrossim, a ausência de uma educação ambiental consistente reflete na produção do lixo. Em sua maioria, as instituições de ensino não abordam o tema de forma profunda e crítica, o que resulta a sensação de distanciamento na responsabilidade civil sobre o meio ambiente. Dessa maneira, com a formação de uma sociedade acrítica sobre o assunto, o Estado não se sente cobrado efetivamente e, por isso, também não realiza projetos ambientais de forma prioritária. Tal realidade é evidenciada pelos dados do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística, em que, em média, 50% do lixo é descartado a céu aberto no país.
Portanto, fica evidente a importância de mudar a postura social em relação ao meio ambiente para que a teoria Newtoniana não se confirme. Sendo assim, o Ministério do Meio Ambiente, em conjunto com empresas de tecnologia, deve criar um plano que miniminize o descarte de eletrônicos, por meio do retorno de itens às fábricas para a reciclagem de materiais e esses serão coletados nos pontos de venda. Tal ação, permitirá menores acumulos de lixo e redução nos custos do fabricante. Ademais, cabe as escolas, ministrarem aulas de educação ambiental de forma aprofudada, por intemédio de pesquisas interdisciplinares e visitas de campo, visando o aprendizado concreto e crítico aos alunos.